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Correio da Manhã

Portugal
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LAR 'ARMAZENAVA' IDOSOS

Um lar clandestino no Barreiro foi encerrado, na sequência de uma operação conjunta entre a PSP do Barreiro e os Serviços de Segurança Social.
19 de Junho de 2002 às 23:17
O lar funcionava em dois apartamentos, um deles de quatro assoalhadas, espaço onde se amontoavam 13 idosos - além de uma empregada, a proprietária, uma "modista desempregada" e um filho deficiente. O caso chegou à 5ª Esquadra do Barreiro através de uma denúncia e o Comando da Divisão do Barreiro mandou o assunto ser investigado, para que houvesse a certeza relativamente ao caso.


A situação verificava-se na Avenida do Bocage, nº 71, e a Esquadra da PSP mandou para a zona uma equipa da Secção de Fiscalização, para recolher elementos, dando desde logo conhecimento aos serviços de assistência social do Barreiro. O caso foi encaminhado para Setúbal.


Na terça-feira de manhã, agentes à civil entraram no nº 71 da Avenida do Bocage e comprovaram a existência do lar clandestino no 1º andar, ocupando os dois apartamentos do piso, esquerdo e direito.


Comprovadas as suspeitas, foram então mobilizados oito agentes, acompanhados por elementos da segurança social. No primeiro esquerdo, de três assoalhadas, a porta aberta permitia ver quatro velhotes, mas no andar oposto a porta estava encerrada.


A PSP e a Segurança Social quiseram entrar, mas a funcionária manteve a porta encerrada, e um elemento da PSP recorreu então à varanda para tentar negociar a entrada com a funcionária.


As negociações duraram entre duas a três horas e só os avisos da PSP de que a funcionária poderia estar a incorrer no crime de sequestro - uma vez que havia familiares dos idosos à espera para os verem - a levou a abrir a porta.

Amontoados

Foi então que entraram as autoridades. Dentro do apartamento de quatro pequenas assoalhadas encontravam-se treze idosos, e o mesmo


espaço era partilhado por uma funcionária, que lá pernoitava, pela proprietária e pelo filho deficiente, um total de 16 pessoas. "Era um autêntico armazém", foi-nos adiantado.


No entanto, não era fácil dar-se pelo "esquema", uma vez que muitas vezes as visitas aos idosos eram conduzidas para o outro apartamento de três assoalhadas, alugado para o mesmo efeito. Os idosos não apresentavam sinais de estar maltratados, mas as condições sanitárias eram mais que precárias.


Uma vez que não havia camas para todos, o mesmo espaço era partilhado à vez e um deitava-se logo que outro idoso se levantava - e a verdade é que havia mesmo enxergas debaixo das camas, dada a exiguidade das instalações. E nos dois apartamentos funcionava ainda um centro de dia.


Não obstante, os preços não eram propriamente baixos e variavam entre os 80 contos para o centro de dia e os 110 contos para os internos - tudo sem quaisquer facturas nem garantias. Feitas as contas, a "modista desempregada" tirava cerca de mil contos por mês, livres de quaisquer impostos.


Os idosos foram distribuídos por instituições de vários pontos do Distrito de Setúbal e Lisboa, até nova solução. O caso foi enviado para tribunal.
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