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Correio da Manhã

Portugal

Lar burla idoso

Um idoso que sofre de Alzheimer entregou-se aos cuidados de uma casa de repouso em Mouriscas, concelho de Abrantes, e viu desaparecer cerca de 98 mil euros da sua conta bancária. Tudo aconteceu em seis meses, enquanto José Abreu, de 86 anos, esteve acamado.
3 de Abril de 2009 às 00:30
José Abreu ficou sem as poupanças e avançou para os tribunais
José Abreu ficou sem as poupanças e avançou para os tribunais FOTO: João Nuno Pepino

As principais suspeitas recaem sobre as proprietárias do lar – mãe, filha e neto – que começaram ontem a responder no Tribunal de Abrantes por três crimes de burla, três de falsificação de documento e um crime de burla informática. Segundo os arguidos, foi José Abreu quem quis dar voluntariamente o dinheiro, por viver maritalmente com a dona de casa de acolhimento, Fernanda Q, de 79 anos. Mas esta versão é desmentida pelo próprio idoso, que está lúcido e exige o dinheiro de volta.

O despacho de acusação refere que a filha da dona do lar, Celestina G., de 48 anos, forjou uma procuração para se tornar co-titular de uma das contas bancárias do burlado. Posteriormente, transferiu 90 mil euros para a conta da mãe, utilizando dois cheques, de 30 e 60 mil euros. Com o código do multibanco descoberto pelo neto, Fábio G., de 27 anos, os três são também acusados de terem efectuado levantamentos no valor de 8.300 euros com o cartão da vítima.

Quando entrou para o lar, em Março de 2004, o octogenário era autónomo e precisava apenas de vigilância permanente. Segundo os três filhos de José Abreu, residentes na Amadora, os problemas começaram no mês seguinte, quando o idoso ficou acamado na sequência de um acidente de viação.

Ao abrir uma carta do banco, os filhos descobrem que, entre 23 de Abril e 7 de Agosto, foram levantadas avultadas quantias com o cartão multibanco do acamado. De imediato, tentaram ir buscar o pai ao lar, mas a entrada foi-lhes barrada. A GNR de Abrantes teve que intervir para que José Abreu e o seu carro, que andava a ser conduzido por Fábio G., fossem devolvidos à família. Nesta altura, ainda os filhos nem suspeitavam que tinham sido transferidos 90 mil euros da sua conta bancária.

“O meu pai é primo do tio Patinhas. Nunca daria o dinheiro a ninguém”, garante um dos filhos, Rui Pedro Abreu. “Ele não falava nem conseguia andar. Se não o tirássemos do lar, morria em menos de um mês”, acrescenta a irmã, Manuela Abreu, para quem o pai foi propositadamente negligenciado nos cuidados e na medicação. Hoje, “tem os problemas normais para a idade, mas vive sozinho e está completamente lúcido”, conta a filha.

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