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Correio da Manhã

Portugal
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LEONOR ALEGOU TER SIDO AGREDIDA PELA PJ

A mãe de Joana acusou, segunda-feira, os inspectores da Polícia Judiciária (PJ) de a terem coagido fisicamente para obrigá-la a confessar o crime. A versão, forjada pela mulher ao ser surpreendida a sangrar por um dos elementos da Secção Regional de Combate ao Banditismo (SRCB) que a interrogava, levou a que desse entrada cerca das 20h25 no Hospital Distrital de Faro (HDF).
30 de Setembro de 2004 às 00:00
Naquela unidade de saúde as hemorragias e dores abdominais provocadas por “alegadas lesões internas” resultantes das ditas agressões policiais de que disse ter sido vítima, foram desmascaradas pelos exames médicos:as manchas de sangue detectadas na cadeira onde se sentara nessa tarde, eram simplesmente vestígios do fluxo menstrual.
Um pormenor que escapou na altura ao inspector da PJ que a interrogava, mas foi de imediato aproveitado pela mulher. Bastaram poucos segundos para Leonor engendrar o plano que lhe permitiu ser conduzida ao HDF e escapar por algumas horas à pressão dos interrogatórios a que tem estado sujeita diariamente desde a sua detenção. Submetida a exames médicos a mulher acabaria por ser reconduzida à Directoria da PJ, que prossegue diligências de investigação em várias direcções no sentido de localizar o corpo da pequena Joana.
O CM apurou que, quando confrontada pelo inspector quanto à origem das manchas de sangue deixadas na cadeira, Leonor Cipriano começou por simular um mal-estar e dores abdominais, alegadamente resultantes de lesões internas que teriam sido provocadas pela coacção física de que fora vítima por parte dos investigadores no intuito de a fazer falar. “Bateram-me e deram-me socos na barriga para me obrigar a falar”, gritou Leonor Cipriano contorcendo o corpo à frente do atónito inspector.
Perante os factos e sem argumentos, o investigador solicitou então que conduzissem a suspeita ao HDF, onde os exames médicos a que foi submetida revelaram a mentira e uma verdade: Leonor Cipriano estava nos “dias difíceis” e não se prevenira para essa eventualidade antes de ser transportada do Estabelecimento Prisional de Odemira, onde se encontra sob prisão preventiva, para a PJ de Faro. Um percurso feito diariamente pela detida desde que recolheu à cadeia, no dia 23, por decisão da juíza de instrução criminal do Tribunal de Portimão.
Principal suspeita do homicídio da filha, praticado no dia 12 de Setembro, Leonor Cipriano continua a ser interrogada pelos inspectores da SRCB da PJ de Faro que, apesar das intensas buscas realizadas na Figueira e noutros pontos da região, não conseguiram localizar o cadáver da menor. Apesar de confessarem o crime, tanto a mulher como o irmão, João Cipriano, têm ocultado o local onde depositaram o corpo, na tentativa de escaparem a uma condenação.
NELSON GARANTE ESTAR INOCENTE
Nelson Cipriano, o tio de Joana que fora acusado pelo irmão João de ter facultado o seu carro para transporte do corpo da menina, afirma ter sido já informado que os exames periciais realizados ao veículo pela PJ provam que “não teve qualquer envolvimento no caso, tal como sempre havia dito”.
O carro, um Seat Ibiza, de cor branca, foi levado pelos inspectores encarregues do caso Joana no passado domingo, de forma a ser sujeito a rigorosos exames. A PJ terá garantido a Nelson que o automóvel seria devolvido ontem, mas o CM apurou que até ao início da noite isso ainda não tinha acontecido.
De acordo com Nelson Cipriano, os resultados irão demonstrar que está completamente inocente em relação a este caso, esperando desta forma que “as pessoas deixem de falar mal nas minhas costas”. Este irmão dos dois suspeitos da morte de Joana confessa que viveu “dias muito complicados”, devido às suspeitas lançadas contra ele por João Cipriano.
Nelson revela, por outro lado, que “ainda não consegue acreditar que eles tenham matado a menina”, até porque “o corpo continua sem aparecer”.
Apesar de não saber o que se passou, o irmão dos suspeitos inclina-se mais para a possibilidade da sobrinha “ter sido vendida”, adiantando que Leonor (a mãe de Joana) e João (o tio) “nunca tiveram muito dinheiro e talvez tenham cedido à tentação...”
O referido familiar salienta que só soube do desaparecimento de Joana três dias depois do sucedido, quando estava no café e viu a notícia sobre a sua sobrinha no Correio da Manhã. Nessa altura, Nelson, que diz ter ficado em estado de choque, dirigiu-se à casa da irmã, na aldeia da Figueira, a qual lhe disse que “a Joana teria sido raptada”.
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