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Correio da Manhã

Portugal
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Leonor diz que João matou filha

Leonor Cipriano disse perante juízes e jurados, em Outubro passado – no julgamento em que acusa elementos da PJ de tortura para a levar a confessar o homicídio –, que não sabia o que tinha acontecido à filha Joana e que acreditava que ela estava viva. Três meses depois, a mãe da menina de sete anos desaparecida da aldeia de Figueira, em Portimão, dá nova versão e revela que a filha foi morta pelo tio João Cipriano. A mulher, condenada a 16 anos de cadeia pelo homicídio da filha, veio agora dizer que a tentou vender.
17 de Janeiro de 2009 às 00:30
Leonor diz que João matou filha
Leonor diz que João matou filha FOTO: Lusa

De acordo com o testemunho de Leonor – registado pelo advogado Marcos Aragão Correia –, João Cipriano convenceu a irmã a entregar a filha aos cuidados de pessoas estranhas à família, em troca de dinheiro. A entrega não correu bem, tendo daí resultado o assassinato de Joana.

Esta nova confissão dos factos ocorridos a 13 de Outubro de 2004 é considerada por elementos da PJ que investigaram o caso como 'mais uma versão de uma pessoa psicopata que tem prazer em brincar com a polícia e com os tribunais'.

Segundo Leonor, 'estava já tudo combinado 'para que 'Joana fosse levada para o estrangeiro' - plano desenhado pelo irmão. 'Mandei a Joana ir às compras (...) e o João guardou roupas dela num saco', descreve. 'Só hora e meia depois voltei a ver o João, mas chegou sem o dinheiro. Vi sangue nas calças e perguntei-lhe pela Joana e ele disse que as coisas não tinham corrido bem. Que os gajos não tinham o dinheiro', continua. Na sua versão, a filha Joana terá dito que 'ia contar tudo' e que João lhe deu 'uma estalada'. Depois descontrolou-se e a 'miúda morrera'. Enterrou o corpo, continua, 'lá para cima nos montes da Figueira'.

Esta não é a primeira vez que Leonor acusa o irmão de ter assassinado a filha. Durante as investigações, disse sempre que a morte teria resultado de uma chapada dada por João dentro de casa. No julgamento negou a acusação. Passados quatro anos, apresenta uma nova versão.

O advogado Aragão Correia, que admitiu ao CM que foi ele que redigiu o documento, segundo ele a pedido de Leonor, diz que 'mais vale falar verdade tarde do que nunca'.

PORMENORES

TRAÇOS PARANÓICOS

Um psicólogo analisou como perito no Tribunal de Faro que Leonor tem 'traços narcísicos, paranóicos e esquizóides'.

NOVAS TESTEMUNHAS

Os juízes que julgam as alegadas agressões a Leonor aceitaram ontem, em mais uma sessão, ouvir como testemunha a directora da prisão de Odemira.

RECURSO DE REVISÃO

A declaração de Leonor foi entregue no Ministério Público de Faro, que pode pedir a abertura de recurso de revisão do processo julgado em Portimão.

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