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Correio da Manhã

Portugal
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Leonor fica presa com novas provas

O Tribunal de Portimão decidiu ontem manter a mãe de Joana em prisão preventiva, depois de o Ministério Público ter dado a conhecer à juíza Ana Soares novas provas contra Leonor Cipriano resultantes de exames periciais levados a cabo pelo laboratório de Polícia Científica.
19 de Março de 2005 às 00:00
Além do perigo de alarme social e de perturbação do inquérito, a juíza de instrução criminal encontrou mais um motivo para justificar a prisão preventiva de Leonor Cipriano: o perigo de fuga.
O processo encontra-se na fase final do inquérito, devendo a acusação do Ministério Público estar prestes a ser conhecida. Só faltará saber o resultado de mais seis exames periciais, segundo apurou o CM.
De acordo com a lei, Leonor apenas poderá ficar em prisão preventiva por mais três meses sem que seja proferida a acusação. O Tribunal mantém as imputações iniciais a Leonor: ofensas corporais agravadas por resultado de morte. Recorde-se que no processo, o qual já terá mais de 2400 folhas, constam desde o começo indícios recolhidos no interior da casa da criança, nomeadamente marcas de uma mão da menina na parede, junto à porta, após ter sido agredida até à morte. As últimas diligências feitas pela PJ na Figueira incidiram nas suiniculturas, das quais foram por diversas vezes recolhidas amostras, nomeadamente excrementos dos animais. Segundo as nossas fontes, os resultados que ainda se aguardam têm a ver com os vestígios do corpo de Joana nas pocilgas.
A mãe de Joana voltou ontem a reafirmar a inocência. O advogado oficioso de defesa, João Novais Pacheco, pondera mesmo recorrer da prisão preventiva, com base em “omissão de alguns aspectos processuais”. Seja como for, o recurso só poderá ter um efeito dilatório e não suspensivo da medida de coacção agora mantida.
Foi a terceira vez que a juíza Ana Soares reexaminou os pressupostos da prisão preventiva de Leonor (obrigatório de três em três meses). Mais uma vez, Leonor regressa ao presídio de Odemira.
JOÃO CIPRIANO ESTÁ PRESO À ORDEM DE OUTRO PROCESSO
João Cipriano, o irmão de Leonor, também suspeito da morte da menina e ocultação de cadáver, não foi ontem ouvido pela juíza de instrução criminal do Tribunal de Portimão. Isto porque, segundo o CM apurou, o tio de Joana está recluso no Estabelecimento Prisional de Olhão a cumprir uma pena de prisão efectiva por outro processo, o que tem efeitos suspensivos sobre a necessidade do reexame da prisão preventiva no caso da sobrinha.
O arguido respondeu num processo por condução sem carta, em que foi condenado. Como não pagou as respectivas custas, acabou preso. No entanto, ao que apurou o nosso jornal, trata-se de uma curta pena, pelo que dentro de poucos dias a sua situação terá de ser reavaliada pela juíza de Instrução.
No caso de Leonor, esta foi a terceira vez que a arguida foi ouvida pela magistrada de instrução criminal. Desta vez, a diligência demorou muito mais tempo do que as anteriores, o que, tal como reconheceu o defensor da mãe de Joana, João Novais Pacheco, resultou de exposições “longas” quer por parte da defesa quer do Ministério Público e da própria juíza. No entanto, Leonor permaneceu na sala apenas durante 25 minutos, período no qual ouviu a juíza referir-se à existência de novos indícios e ainda teve oportunidade de reafirmar a sua inocência. Hora e meia depois, ficou a conhecer a decisão do Tribunal, à qual, segundo o seu advogado, “reagiu bem”. “Nós já tínhamos falado sobre a possibilidade de a prisão preventiva ser mantida”, disse João Novais Pacheco.
PORMENORES
BOM ASPECTO
Leonor compareceu no tribunal com bom aspecto: cabelo arranjado, maquilhada e com sapatos de salto alto – e sem marcas visíveis das agressões que diz ter sido vítima por parte de inspectores da PJ. Chegou numa carrinha celular, acompanhada por dois guardas prisionais.
MÁ RECEPÇÃO
A chegada da carrinha celular ao edifício do Tribunal – que aconteceu por volta das 15h00 – decorreu debaixo de insultos de alguns populares: “Assassina” – gritaram-lhe em coro os populares.
ESCOLTA
A saída de Leonor rumo à cadeia de Odemira, onde se encontra detida desde 25 de Setembro, aconteceu quatro horas depois de ter entrado no tribunal. Um carro da PSP de Portimão abriu caminho à viatura dos Serviços Prisionais.
TRISTEZA
O advogado de Leonor disse, à saída do tribunal, que ela “está triste”. Leonor, ainda de acordo com o seu defensor oficioso, “não mostrou qualquer sinal de revolta” quando soube que a juíza a mandou de volta para a cadeia de Odemira.
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