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Correio da Manhã

Portugal
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Leonor não consegue identificar agressores

Leonor Cipriano afirmou esta segunda-feira em tribunal ter sido agredida por agentes da Polícia Judiciária (PJ) no âmbito das investigações ao desaparecimento a sua filha, mas admitiu não conseguir identificar os autores das agressões. A mãe de Joana negou ainda ter estado envolvida na morte da filha e admitiu acreditar que a menina possa ainda estar viva.
27 de Outubro de 2008 às 15:36
Leonor Cirpiano
Leonor Cirpiano FOTO: D.R.

A mãe de Joana, que falava na primeira sessão do julgamento de cinco inspectores da PJ envolvidos nas alegadas agressões, no Tribunal de Faro, disse ter sido agredida por não responder ao que “eles (inspectores) queriam”.

“Queriam saber onde estava o corpo (de Joana) e eu dizia que não tinha feito nada, então começavam a espancar-me”, testemunhou Leonor Cipriano, especificando ter sido agredida com socos na cara e pontapés na zona das costelas, entre outras agressões.

A mãe de Joana disse não responder aos inspectores porque sabia não ter feito mal à filha e afirmou que um grupo de inspectores, que não consegue quantificar nem identificar com exactidão, agrediu-a durante cerca de uma hora num gabinete da directoria de Faro da PJ, onde estava a ser interrogada.

Leonor Cipriano precisou ainda que lhe enfiaram um saco de plástico na cabeça, deram-lhe murros e obrigaram-na a ajoelhar-se em cima de cinzeiros partidos, que lhe bateram com tubos de cartão e com o que parecia ser uma lista telefónica.

Segundo o testemunho da mãe de Joana, condenada a 16 anos de prisão em conjunto com o irmão pelo homicídio qualificado da filha e ocultação de cadáver, eram vários os inspectores presentes na sala, por vezes grupos de quatro ou cinco elementos, que iam entrando e saindo, permanecendo sempre um inspector com ela no gabinete.

Leonor Cipriano afirmou em tribunal ter pedido, após as alegadas agressões e quando se preparava para regressar à prisão de Odemira, para ser levada a um centro de saúde, onde foi atendida por um médico que lhe receitou uma pomada e pingos para os olhos.

À chegada ao estabelecimento prisional, um dos inspectores disse-lhe para se justificar com as agressões dizendo ter-se atirado das escadas, caso contrário, iram fazer-lhe “pior”, contou Leonor Cipriano.

A mãe de Joana negou ainda ter admitido perante a Juíza de Instrução Criminal de Portimão, quando foi detida, que a morte de sua filha tinha sido acidental e que o corpo tenha sido escondido por terceiros.

Por fim, Leonor Cipriano disse não ter morto a filha e admitiu acreditar Joana ainda possa estar viva.

“Eu, como mãe, não lhe fiz mal, uma pessoa passa por coisas que não fez, leva porrada e ainda é torturada”, sustentou Leonor.

Hoje decorre a primeira sessão de julgamento de cinco inspectores da PJ envolvidos num processo de alegadas agressões a Leonor Cipriano durante um interrogatório na PJ de Faro, quando já estava presa.

Três dos inspectores são acusados do crime de tortura, um é acusado de não ter prestado auxílio e omissão de denúncia e um quinto é acusado de falsificação de documento. 

Segundo o advogado de quatro dos cinco inspectores, António Pragal Colaço, Leonor Cipriano confessou ter estado envolvida na morte da filha a 13 de Outubro de 2004, mas a data apontada para as alegadas agressões é o dia seguinte.

Nenhum dos cinco elementos da PJ acusados quiseram prestar declarações em tribunal, reservando-se ao direito de falar mais tarde.

 

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