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Correio da Manhã

Portugal
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Leonor não reconhece agressores da Judiciária

Leonor Cipriano, condenada em Setembro a uma pena de 20 anos de prisão pela morte da sua filha Joana, no Algarve, não conseguiu ontem identificar com segurança os inspectores da Direcção Central de Combate ao Banditismo da Polícia Judiciária (PJ) de Lisboa que acusa de a terem agredido, em Outubro do ano passado, na sede da Judiciária de Faro, durante a investigação do crime.
29 de Novembro de 2005 às 00:00
Leonor à saída do Departamento de Investigação e Acção Penal de Évora
Leonor à saída do Departamento de Investigação e Acção Penal de Évora FOTO: Alexandre M. Silva
A queixa apresentada por Leonor levou o Ministério Público, ontem, a proceder ao reconhecimento dos suspeitos da agressão por parte da queixosa. A diligência decorreu no Departamento de Investigação e Acção Penal de Évora, porque nas instalações do Ministério de Faro não há uma sala com parede espelhada.
Leonor, perante o procurador Manuel Simões Azenha, identificou os dois inspectores que a interrogaram durante a investigação da morte de Joana – e garantiu “eles nunca a agrediram”. Restavam os outros dois investigadores que faziam parte da equipa da PJ – mas Leonor não foi capaz de os reconhecer. Os outros dois não foram reconhecidos.
António Colaço, o advogado que representa os inspectores da PJ, disse ao CM que a diligência foi “esclarecedora” e pediu à Procuradoria-Geral da República para divulgar o resultado, para “defesa da honra da própria PJ”.
PJ RECUSA MAUS TRATOS
As queixas das alegadas agressões remontam a Outubro de 2004, altura em que Leonor Cipriano diz que foi espancada num interrogatório realizado na Directoria da PJ de Faro por uma equipa de quatro inspectores da DCCB.
Os investigadores procuravam descobrir a localização do corpo de Joana. Leonor chegou com marcas no corpo ao Estabelecimento Prisional de Odemira e terá recebido assistência médica. A PJ garante que os hematomas resultaram de “uma tentativa de suicídio”.
'PJ NÃO PODE SER ENXOVALHADA'
O advogado dos inspectores da PJ que Leonor Cipriano acusa de agressão disse, ontem, no final da diligência, que a “Polícia Judiciária não pode ser permenentemente enxovalhada e responsabilizada por tudo o que de mal acontece no País”.
Segundo António Colaço, nos últimos tempos “os inspectores responsáveis pela investigação do caso da morte de Joana têm sido constantemente enxovalhados”.
O advogado disse ainda ao CM que a Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal pondera, por tudo isto, interpor uma acção cível contra o Estado – e “o valor da indemnização reverterá a favor de uma instituição de solidariedade social de Portimão”, concelho de que faz parte a aldeia de Figueira, onde Joana foi assassinada pela mãe e pelo tio materno.
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