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Correio da Manhã

Portugal
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LICENCIATURAS CUSTAM 12 MIL EUROS EM MÉDIA

As cooperativas que gerem os estabelecimentos de ensino superior privado – onde as mensalidades variam entre 200 e 300 euros e uma licenciatura pode custar 12 mil euros – têm-se revelado um bom negócio. Não podendo dar lucro, o dinheiro é investido ou distribuído pelos cooperantes.
28 de Outubro de 2002 às 00:48
Segundo a lei, para constituir uma cooperativa de ensino superior basta um capital social de cinco mil euros (mil contos), e os cursos só podem ser ministrados se o Ministério da Educação der o aval.

Tirando estas questões burocráticas (a Lusófona por exemplo começou muitos cursos antes de os mesmos serem licenciados pelo governo) o investimento inicial dos cooperantes é mínimo se comparado com os dividendos.

Actualmente as propinas mensais que se praticam em cada uma das universidades privadas variam mas rondam em média os 250 euros (50 contos).

Mas nas privadas "paga-se tudo", como desabafa uma ex-aluna de uma delas à Lusa. De facto, na generalidade dos casos, o aluno começa por pagar para o concurso de acesso (140 euros, preços médios), embora o dinheiro não lhe seja devolvido mesmo que não entre (também raramente se chumba).

Depois paga outro tanto ou mais pela matrícula e depois mais pelo menos 100 euros pela "inscrição" no curso. As mensalidades variam entre os 200 e os 300 euros (e em cursos técnicos chegam aos 400), mas se os alunos deixarem cadeiras em atraso terão de pagar 50 ou 60 euros por cada uma e por mês.

E não fica por aqui. Mudar de curso custa em média 120 euros, cada exame de segunda época atinge quase os 50, o mesmo que se paga para ter acesso a uma melhoria de nota.

O pedido de revisão de prova pode custar 25 euros, um certificado de habilitações 40 ou 50 e um diploma 200. E paralelamente há o mercado das pós-graduações, onde os preços disparam.

Pós-graduações

"Há pós-graduações a 300 contos, ou mesmo a mil, mas isso até no ensino público", diz Gina Beja, recentemente licenciada em Direito numa universidade privada.

Contas feitas, cada aluno paga por ano uma média de 3.000 euros (600 contos) e o curso, no final, dependendo da universidade e da licenciatura, nunca terá custado menos de 12.000 (quase 2.500 contos).

Agora multiplique-se isto pelo número de alunos para se perceber o "filão": uma universidade pequena, com mil alunos, terá um proveito em propinas, em cada mês, de 250 mil euros (50 mil contos). E só contando as propinas.

A Universidade Moderna chegou a ter, nos seus tempos áureos, mais de 10 mil alunos (tantos quantos tem hoje a Lusófona). A recessão, o aumento de vagas no ensino público e a sucessão de suspeitas envolvendo universidades privadas afastaram os alunos e por conseguinte os proveitos.

Para atrair alunos e por conseguinte dividendos as privadas baixam as médias de entrada e criam cursos para todos os gostos.
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