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Correio da Manhã

Portugal
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Líder da seita 'Verdade Celestial' condenado a 23 anos de prisão

Tribunal deu como provados abusos contra oito crianças, incluindo o próprio filho do líder.
12 de Dezembro de 2017 às 17:15
Arguidos de seita 'Verdade Celestial'
Seita 'Verdade Celestial' violava menores
Arguidos de seita 'Verdade Celestial'
Seita 'Verdade Celestial' violava menores
Arguidos de seita 'Verdade Celestial'
Seita 'Verdade Celestial' violava menores

O líder da seita que dava pelo nome de Verdade Celestial, acusada de dezenas de abusos sexuais contra crianças foi condenado esta terça-feira a uma pena de 23 anos de prisão. Rui Pedro foi considerado culpado de ter abusado de oito menores, incluindo o seu próprio filho.


O grupo que tinha como base uma casa em Palmela onde eram praticados 'atos purificadores', termos com que o 'mestre' da seita designava as violações que praticava.

O arguido disse em tribunal estar arrependido e chegou a pedir a pena máxima de 25 anos para si próprio. Nas alegações finais, o Ministério Público desqualificou o suposto arrependimento do arguido, apontando-o como falso e pediu uma pena de de 23 anos, o que acabou por ser confirmado pelo Tribunal de Setúbal.

Rui Pedro foi julgado com mais sete arguidos, quatro homens e três mulheres. 

Dos restantes sete arguidos, cinco (quatro homens e uma mulher) foram condenados a penas de prisão entre os sete e os 19 anos, enquanto outras duas mulheres (incluindo a mulher do 'mestre') foram absolvidas, segundo o acórdão conhecido esta terça-feira no Tribunal de Setúbal.

O homem condenado a 19 anos era o braço direito de Rui Pedro na condução do grupo de violadores.

Os crimes constantes da acusação foram cometidos entre 2011 e 2015.

"Nem os animais eram capazes de algumas destas práticas", disse o juiz
O líder do grupo e principal arguido no processo, que se fazia passar por psicólogo e que se intitulava como mestre da falsa seita religiosa "Verdade Celestial", estava acusado de dezenas de crimes de violação, lenocínio e pornografia de menores, entre outros.

Entre as vítimas estão os próprios filhos de dois pedófilos (as crianças ficaram com sequelas profundas, em termos físicos e psicológicos, devido aos abusos sexuais repetidos), o que levou o tribunal a proibir também o exercício do direito parental dos dois homens.

"O senhor não é digno de exercer responsabilidades parentais", justificou o juiz presidente do coletivo do tribunal de Setúbal, João Rodrigues, dirigindo-se a um dos arguidos, que classificou como uma caso de "psicopatia, perturbação de personalidade e estilo manipulatório".

Durante a leitura de um resumo do acórdão, o juiz destacou algumas conversas trocadas entre os arguidos, através de diversos "chats" na internet, considerando que os mesmo, não só revelavam total desrespeito pelas crianças, como também evidenciavam o objetivo de consumarem o abuso sexual de crianças na quinta de Brejos do Assa, no concelho de Palmela, distrito de Setúbal.

O juiz João Rodrigues considerou ainda que se tratou de um caso de grande perversidade, acrescentando que "nem os animais eram capazes de algumas destas práticas".

Para a prática dos abusos sexuais de crianças na quinta de Brejos do Assa, que ocorreram entre 2011 e 2015, os arguidos aproveitavam-se da inocência e da ingenuidade dos menores, convenciam-nas de que as sevícias sexuais eram "atos purificadores" e diziam-lhe que se contassem o que ali se passava a alguém do exterior poderia acontecer algo de grave aos familiares.

O caso chegou ao conhecimento da Polícia Judiciária (PJ) de Setúbal através da denúncia de um dos arguidos, que nem por isso escapou a uma pena de prisão efetiva.

Os abusos sexuais na quinta de Brejos do Assa só terminaram em junho de 2015, na sequência de uma operação policial que culminou com a detenção dos oito suspeitos, seis deles condenados agora a penas de prisão efetiva.



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