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Correio da Manhã

Portugal

Líder de grupo de contrafação de notas apanha oito anos de prisão

Homem de 34 anos, natural de Arcos de Valdevez, era suspeito de liderar um grupo de quatro pessoas que se dedicava à produção de notas de euro.
Lusa 26 de Junho de 2020 às 14:24
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Dinheiro FOTO: Getty Images
O líder de um grupo de contrafação de notas de 50 e 10 euros foi hoje condenado pelo Tribunal de Coimbra a oito anos de prisão, pela prática do crime de contrafação de moeda.

O tribunal de júri deu como provados todos os factos presentes na acusação, considerando as declarações do arguido - que negou a acusação - como "manifestamente incoerentes e sem sentido", afirmou o presidente do coletivo de juízes, durante a leitura da sentença.

O homem de 34 anos, natural de Arcos de Valdevez, era suspeito de liderar um grupo de quatro pessoas que se dedicava à produção de notas de euro, tendo produzido, pelo menos, 24.775 notas de 50 euros e 10 euros, entre 2017 e 2019, que foram distribuídas por vários países da Europa, através da sua venda na 'darknet'

O Tribunal de Coimbra "não teve dúvidas da veracidade dos depoimentos das testemunhas", especialmente de dois membros do grupo que foram julgados num processo à parte por não terem requerido tribunal de júri e que foram condenados a penas suspensas, mediante o pagamento de 125 mil euros.

Esses depoimentos foram "coerentes", havendo "elementos objetivos no processo que corroboram essas afirmações trazidas pelas testemunhas", que afirmaram que o arguido era o 'cabecilha' do grupo, vincou o presidente do coletivo, salientando que os próprios documentos anexos ao processo bastariam para provar os factos que praticou.

O Tribunal de Coimbra, suportando-se nas testemunhas e em conversações digitais entre o arguido e os outros membros do grupo, não teve qualquer dúvidas de que o jovem era 'Colucci', o pseudónimo usado por este na 'darknet' para vender notas contrafeitas - elogiadas pelos utilizadores e tidas pelo Ministério Público como de "elevada qualidade".

O arguido, que vinha acusado de dois crimes - contrafação de moeda e passagem de moeda falsa - acabou condenado apenas pelo crime de contrafação de moeda falsa, considerando o tribunal de júri que a passagem da moeda falsa era um comportamento já abrangido pelo crime pelo qual foi condenado.

"O senhor não manifestou arrependimento e, ao não assumir os factos, tentou enganar o Tribunal e procurar desviar o rumo dos acontecimentos", salientou o juiz.

Já nos momentos finais, dirigindo-se ao arguido, o presidente do coletivo disse: "O senhor tem capacidade. Aproveite estes anos na prisão para perceber que as suas capacidades podem ser mais importantes se dirigidas para o caminho certo".

"Capacidade não lhe falta. Falta é dirigi-la para a direção certa. Se assim o fizer, pode ser que ainda tenha uma vida boa", afirmou o juiz.

punição / sentença tribunal julgamentos crime lei e justiça Tribunal de Coimbra
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