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Correio da Manhã

Portugal
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Limpeza do quartel feita por dois cabos

Dois cabos que foram retirados do serviço operacional asseguram, desde há algum tempo, a limpeza do quartel do Grupo Territorial de Portimão. A denúncia da situação, considerada “atentatória da dignidade dos militares e da própria instituição”, é feita pelo coordenador da Delegação Sul da Associação dos Profissionais da Guarda – APG/GNR, segundo o qual “os militares fazem esse serviço das 9 às 17h00, de segunda a sexta-feira”.
20 de Março de 2008 às 00:30
Quartel da GNR de Portimão é limpo por dois graduados, que prestam ainda apoio ao atendimento
Quartel da GNR de Portimão é limpo por dois graduados, que prestam ainda apoio ao atendimento FOTO: José Carlos Campos
Praticamente reduzidos ao trabalho de faxina, os dois graduados “prestam apoio ao atendimento, mas no máximo três vezes por mês”, esclarece António Barreira, para quem isso constitui “um contra-senso: diz-se que faltam efectivos da GNR para o patrulhamento mas muitas vezes verifica-se que eles são é deslocados para outras tarefas, não relacionadas com a segurança”.

O dirigente da APG refere que “o regulamento da GNR admite a realização de faxinas” mas frisa que “tal não compete aos cabos, a menos que recebam ordens nesse sentido”. E assegura ainda haver, no quartel de Portimão, “mais três militares que também foram retirados do serviço operacional e trabalham como pedreiros nas obras do edifício”.

Contactada pelo CM, fonte do Comando da Brigada Territorial n.º 3 da GNR garante que “os militares em causa constituem uma equipa de apoio de serviço e integram ainda a escala de apoio ao atendimento. Além disso, um deles está nos serviços moderados”. “Não é uma situação desejável, mas é a possível. A GNR sempre teve militares a desempenhar este e outro tipo de tarefas de apoio. A questão tem sido objecto de análise e está gradualmente a ser ultrapassada”, sublinha.

'FARDADO, DE BALDE E ESFREGONA'

Em Lagos, a limpeza do Posto da GNRé igualmente assegurada pelos guardas, nomeadamente por aquele que faz o serviço de atendimento nocturno (turno das 01h00 às 09h00 da manhã). “O militar que anda de balde e esfregona na mão, fardado, é o mesmo que atende o público e recebe as queixas dos cidadãos. Que dignidade é que isto oferece?”, questiona o coordenador da Delegação Sul da APG/GNR, António Barreira, que lamenta serem os guardas “pau para toda a obra”. fonte do Comando da Brigada Territorial n.º 3 da GNR, de Évora, admite que esta situação “ainda ocorre, sobretudo em pequenos postos da GNR”, sendo “a retirada de um militar uma perda em termos operacionais mas um ganho em funcionalidade”. Mas, garante, “os militares só são empregues nessas tarefas quando não há outra solução ou quando estão impedidos de desempenho operacional, por razões de saúde ou outras”. E recorda ser esta “uma prática que vem de trás”, que está a ser “alterada de forma gradual”, embora “não seja fácil”.

OUTROS DADOS

PEDREIROS

Os três militares que trabalham como pedreiros nas obras de manutenção do quartel do Grupo de Portimão, iniciadas há meses, são provenientes dos Destacamentos de Albufeira (1), Silves (1) e Portimão (1), diz a APG.

MUDANÇAS

fonte do Comando da Brigada n.º 3 esclarece que o serviço de limpezas é o primeiro onde a GNR está a tentar contratar empresas de forma a libertar os militares nele envolvidos. O segundo é o das reparações auto.

PROBLEMAS

O ‘CM’ apurou que no Algarve há problemas acrescidos para contratar pessoal externo de limpeza para os quartéis da GNR: os baixos vencimentos oferecidos e a grande quantidade de trabalho afastam os candidatos.
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