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Correio da Manhã

Portugal
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Lisboa assinala 34 anos do incêndio do Chiado com compromisso de "mais apoios" aos bombeiros

Presidente da Câmara agradeceu o trabalho dos bombeiros da cidade, inclusive nos fogos que deflagram por todo o país.
Lusa 25 de Agosto de 2022 às 14:01
chiado
chiado FOTO: Corrêa dos Santos
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa assinalou esta quinta-feira os 34 anos do grande incêndio do Chiado, agradeceu o trabalho dos bombeiros da cidade, inclusive nos fogos que deflagram por todo o país, e comprometeu-se com "mais apoios".

"Estou comprometido com o vosso trabalho e consciente do vosso papel, por isso sei bem a importância da construção da nova escola do Regimento [de Sapadores Bombeiros de Lisboa] em Marvila, a necessidade de requalificar mais quartéis no nosso regimento, a necessidade de atribuir mais meios, mais apoios, aos nossos bombeiros voluntários, para que cumpram diligentemente esta missão, e queremos fazer mais. Este executivo está do vosso lado", declarou o presidente da câmara, Carlos Moedas (PSD).

O autarca falava na cerimónia de comemoração do Dia Municipal do Bombeiro, que decorreu junto à lápide evocativa do incêndio do Chiado, na Rua do Carmo, em Lisboa.

Entretanto, num comunicado enviado após a cerimónia, a Câmara de Lisboa anunciou a duplicação do número de meios afetos à emergência pré-hospitalar em permanência, a partir de 01 de setembro, que passa assim a contar com 12 Ambulâncias de Socorro dos Bombeiros Voluntários da cidade para apoio direto ao INEM.

Esse reforço insere-se no Dispositivo Integrado Permanente de Emergência Pré-Hospitalar (DIPEPH), coordenado pelo Serviço Municipal de Proteção Civil (SMPC), "que garante um modelo de coordenação, gestão centralizada e otimizada dos meios de emergência pré-hospitalar disponibilizados pelas seis associações humanitárias de bombeiros voluntários da cidade de Lisboa".

"Desde a sua implementação, em janeiro de 2017, o DIPEPH recebeu mais de 150.000 ocorrências pré-hospitalares, representando uma melhoria substancial na resposta às situações de emergência médica e acidente", indicou a autarquia, explicando que a duplicação de meios pretende também responder "ao atual acréscimo de pedidos 112", para "melhoria e garantia da proteção e socorro", não só dos munícipes de Lisboa, mas de todos os que visitam ou que trabalham na cidade.

Na cerimónia, Carlos Moedas realçou o trabalho dos bombeiros nos momentos difíceis da vida da cidade, referindo que "a história do combate organizado aos fogos é antiga em Lisboa, foi impulsionada por D. João I [reinado de 06 de abril de 1385 a 13 de agosto de 1433], profissionalizada após a Restauração [da Independência, em 01 de dezembro de 1640] e modernizada no século XIX".

"Foi tanto aquilo que a nossa cidade passou durante estes séculos. Em muitos momentos mais difíceis desta longa história, a nossa cidade teve sempre os bombeiros, os bombeiros como amparo, como forma de segurança, como forma de salvação da nossa gente", enalteceu.

Carlos Moedas destacou o dia 25 de agosto de 1988: "É um desses momentos em que os nossos soldados da paz salvaram a nossa cidade. Faz hoje 34 anos, exatamente, que deflagrou o incêndio do Chiado. Para muitos, a maior tragédia que se abateu sobre Lisboa depois do terramoto [de 1755]."

No seu discurso, após a evocação do incêndio, inclusive com a colocação de uma coroa de flores sob a placa comemorativa e a realização de um momento de silêncio, o autarca, que é natural de Beja, partilhou as suas memórias desse dia, indicando que se lembra "perfeitamente dessa tragédia", era um jovem de 18 anos e foi nesse agosto de 1988 que "estava a chegar a Lisboa, pela primeira vez".

"Lembro-me porque os meus avós viviam no Barreiro e, ao passar o barco, vimos o que era realmente o que se estava a passar: o medo, o choro, as pessoas, tudo nesse dia me marcou, mas marcou-me sobretudo o que a nossa cidade nesse dia perdeu", afirmou recordando as duas vítimas mortais do incêndio - o bombeiro Joaquim Ramos, do Regimento de Sapadores Bombeiros, e um cidadão.

Na madrugada de 25 de agosto de 1988, um incêndio deflagrou nos extintos armazéns Grandela destruiu 18 edifícios, vários dos quais históricos, provocou mais de 50 feridos, além dos dois mortos, e desalojou cinco famílias, num total de 21 pessoas, deixando ainda duas mil desempregadas e ganhando lugar na memória coletiva como uma das piores catástrofes que assolaram a capital portuguesa.

"Como presidente da câmara, quero deixar um agradecimento a todos os nossos bombeiros, sapadores e voluntários", referiu Carlos Moedas.

O autarca agradeceu ainda a participação dos bombeiros de Lisboa no combate aos fogos rurais por todo o país, inclusive na serra da Estrela, em Ourém e no Algarve, considerando que "são um exemplo do profissionalismo, da solidariedade".

"Somos a capital do país e a nossa responsabilidade, meus amigos, é, por isso, acrescida. Temos o dever de ser um exemplo para o nosso país e por todo o país partilharmos esta nossa qualidade, a qualidade dos nossos bombeiros", disse, reforçando o espírito de solidariedade que marcaram a ação no combate aos fogos em todo o território nacional.

Carlos Moedas deixou o compromisso de apoiar os bombeiros para que possam cumprir a sua missão.

A cerimónia, que despertou a curiosidade de quem circulava pela Rua do Carmo, contou com a presença do presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), José Duarte da Costa, do comandante do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, Tiago Lopes, do presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes, e de comandantes e representantes dos corpos dos bombeiros voluntários e vereadores.

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