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Correio da Manhã

Portugal
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Lisboa unida por Alfama

Lisboa caminhou ontem numa só marcha no último adeus ao coordenador da comissão do bairro de Alfama. José Júlio Cruz Rocha faleceu segunda-feira à noite com 51 anos. Morreu, vítima de cancro, momentos antes de a sua marcha descer a Avenida da Liberdade. Já no dia 3, quando Alfama desfilou no Pavilhão Atlântico, sofrera um AVC.
15 de Junho de 2006 às 00:00
Centenas de pessoas marcaram presença no funeral de José Júlio no cemitério do Alto de São João
Centenas de pessoas marcaram presença no funeral de José Júlio no cemitério do Alto de São João FOTO: Bruno Colaço
José Nunes (de 20 anos) e Soraia Martins (de 14) percorreram meia Lisboa para assistirem ao funeral. No que entenderam “ser a mais elevada homenagem ao mestre”, envergaram os fatos de pescadores de Alcântara, com que segunda-feira desceram a Avenida.
Para José Nunes, foi a sétima vez que marcou o passo por Alcântara. “Entre as pessoas das marchas”, afirmou, o nome de José Júlio é mais do que “o impulsionador da marcha de Alfama. Ele foi um homem a quem todos temos que agradecer pelo trabalho que fez pelas marchas”.
Ao lado do par de Alcântara, Isa Martins envergava o fato com que este ano desceu a Avenida, na marcha intitulada ‘Olivais convida Lisboa aos arraiais’. Por sua vez, Eugénio Pereira trajava o fato do ano passado quando o tema da marcha foi a ‘Festa dos Cravos’. Junto dos dois, Carlos Santos, presidente do Grupo de Pesca e Desporto de Santa Maria dos Olivais, disse que “o bairro tem muito a agradecer a José Júlio, a exemplo de todos os bairros de Lisboa. “Graças ao trabalho que fez por Alfama, incentivava-nos a fazer mais e melhor”, disse.
Com a chegada do féretro ao cemitério, os marchantes com camisolas de Alfama deram as mãos aos jovens de outros bairros, como a Mouraria ou Bela Flor. Lisboa caminhou então numa só marcha em homenagem ao homem sobre o qual o marchante Diogo Vaz, que pelo segundo ano desfila por Alfama, disse ser “uma peça essencial para as oito vitórias nos últimos 11 anos nas marchas”. “Era ele quem, no Centro Cultural Dr. Magalhães Lima, nos dava a força para continuarmos e nos incentivava pelo orgulho de marchar por Alfama”, referiu.
Cerca de duas centenas de pessoas expressaram esse orgulho de uma forma sentida, no cemitério do Alto de São João, em Lisboa.
'UM PILAR DE FORÇA'
Carlos Mendonça, ensaiador há 17 anos da marcha de Alfama, era ontem o rosto da dor pela morte de José Júlio Rocha. “O José Júlio fez um trabalho extraordinário por Alfama, era o nosso pilar de força”, referiu, visivelmente abalado pela perda do amigo. Cinha Jardim, madrinha da marcha de Alfama, foi o braço de apoio de Carlos Mendonça. Cinha diz guardar na memória “um homem com uma capacidade de trabalho notável”.
Secretário da Assembleia Geral do Centro Cultural Dr. Magalhães Lima e seu sócio fundador, José Júlio Rocha deixou duas filhas, Vanessa e Carina, ambas marchantes.
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