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Correio da Manhã

Portugal
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LIVROS E INOVAÇÃO INDICAM RUMOS AO ENSINO SUPERIOR

O futuro do ensino superior já existe em Portugal e algumas das perspectivas analisadas em Ensino Superior: Uma Visão para a Próxima Década’, da autoria dos profs. José Veiga Simão, Sérgio Machado dos Santos e António de Almeida Costa, inspiraram já experiências inovadoras que estão a animar as universidades portuguesas.
22 de Janeiro de 2003 às 00:00
Um dos exemplos é a Escola de Ciências da Saúde, na Universidade do Minho, que está a ser instalada por Machado dos Santos e onde a aplicação de novos métodos de ensino conseguiu uma excepcional adesão dos estudantes que se traduziu, no primeiro ano de aulas, num sucesso escolar de 96 por cento.

O tempo é de mudança e reforma no ensino superior em Portugal, como foi salientado pelo ministro Pedro Lynce durante um encontro, ontem ao princípio da tarde com a Comunicação Social.

Depois de aprovado o Regime Jurídico do Desenvolvimento e Qualidade do Ensino Superior , o ministro Pedro Lynce está apostado em rever toda a legislação do sector, com destaque para as questões organizacionais, de autonomia e de financiamento e considera desejável um consenso sobre as diversas matérias entre as várias forças partidárias e também entre as instituições de ensino.

Foi nestes aspectos que Pedro Lynce valorizou o trabalho “Ensino Superior: Uma Visão para a Próxima Década’, a apresentar oficialmente hoje pelas 17 horas no Auditório 2 da Fundação Gulbenkian, em Lisboa, com a presença do primeiro-ministro Durão Barroso, e também outras obras da mesma índole anunciadas para breve nos escaparates.

Estão neste caso um trabalho do prof. Vítor Crespo, membro da Comissão Permanente dos Conselhos de Avaliação, e um outro livro de José Mexia Crespo de Carvalho, professor do ISCTE e director do INDEG, intitulado ‘Ensino Superior: Modelo de Gestão, Mérito e Responsabilidade’ e com lançamento amanhã às 19h00, na FNAC Colombo, em Lisboa.

Para os autores de “Uma Visão para a Próxima Década” são fundamentais no ensino superior novos modelos de gestão e uma cultura de avaliação da eficácia, para que o sistema aumente a sua competitividade e apague na opinião pública ‘um sentimento de que existirão desperdícios importantes”, em contraponto às sucessivas queixas das instituições sobre a falta de meios.

A força destas ideias ressalta do trabalho já feito por qualquer dos três autores do livro: Veiga Simão respondeu à agitação estudantil de 1968 com uma reforma da Universidade e, mais tarde como ministro da Indústria num governo de Mário Soares, lançou o LNETI que chegou a ser um pólo de excelência mas está hoje em vias de liquidação e esvaziado dos seus principais objectivos.

António de Almeida Costa presidiu ao Politécnico de Lisboa e criou o Instituto da Comunicação Social de onde vão sair em breve os primeiros alunos com curso completo.

Antigo reitor da Universidade do Minho em Braga e ex-presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, Machado dos Santos protagoniza actualmente uma inovadora experiência.

Ele está à frente da instalação da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho onde cerca de 100 alunos, repartidos por 1.º e 2.º ano, estudam num regime pioneiro, com horário integrado de manhã e de tarde, onde as antigas aulas teóricas e práticas se misturam num método voltado para despertar no estudante a vontade de saber e investigar. Cada estudante tem um computador como posto de trabalho e a realidade tem mostrado uma extraordinária exigência de aprofundamento dos conheciementos técnicos e científicos junto dos professores.

“O sucesso escolar é extraordinário”, observou Machado dos Santos ao CM, referindo que dos 52 alunos do primeiro ano do curso só dois não tiveram aproveitamento e que tal ficou a dever-se, sobretudo, a problemas pessoais e familiares.
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