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Correio da Manhã

Portugal
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Lobo tinha três tocas

Franquelim Pereira Lobo, o ‘barão da droga’ português preso quarta-feira à noite no Brasil, onde se refugiou há três meses em fuga à Justiça portuguesa, já tinha, naquele país, três casas e uma empresa em seu nome, tendo conseguido quatro licenças para explorar minério.
19 de Março de 2005 às 00:00
Lobo, de 50 anos, estava estabelecido em Juiz de Fora, onde tinha dois apartamentos alugados, viajando com frequência ao Rio de Janeiro, S. Salvador da Bahia, Cachoeira e Governador Valadares. Tinha uma outra casa alugada no destino túristico de Búzios, adiantou ontem ao CM José Carlos Tostes, delegado-chefe da Polícia Federal (PF).
A PF apurou que Lobo criou uma empresa em seu nome dedicada à aquisição de licenças de exploração de minério. “Essa firma, a Soimporex, apenas existe no papel”, assegura Tostes, suspeitando-se de que serviria de fachada para lavar dinheiro do tráfico de droga, a exemplo do negócio imobiliário que Lobo tinha no Sul de Espanha quando aí foi preso.
“Conseguiu quatro licenças em pouco tempo, usando outras pessoas (pelo menos um português) que compravam os títulos e depois repassavam”, explicou. Franquelim Lobo negou à PF qualquer negócio ilegal. “Explicou que o dinheiro que lhe foi apreendido [6300 euros em reais e dólares] era fruto do seu trabalho. Disse que era uma pessoa de muita luta, que tudo o que tinha era honesto, negando o tráfico de droga e lavagem de dinheiro”, afirmou Tostes. Lobo foi presente aos jornalistas brasileiros. “Manteve-se calmo. Disse que não queira falar e tapou a cara com as mãos”, recordou o delegado.
O ‘barão da droga’ viajou ontem à tarde de Juiz de Fora para Brasília num avião da PF. Em Brasília vai aguardar detido a extradição para Portugal, onde o esperam 25 anos de cadeia.
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