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Correio da Manhã

Portugal
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Lobo vem para Lisboa

O‘barão da droga’ português, Franquelim Pereira Lobo, preso na quarta-feira no Brasil, está a caminho de Lisboa. O pedido de extradição feito pela Justiça portuguesa foi aceite pelas autoridades brasileiras e Franquelim Lobo, detido pela Polícia Federal em Brasília, deve viajar num dos próximos dias para Portugal, onde o esperam 25 anos de cadeia.
26 de Março de 2005 às 00:00
Franquelim Lobo, de 50 anos, estava em liberdade, desde 21 de Outubro, em Portugal, graças a um ‘habeas corpus’ interposto pelo seu advogado e aceite no Supremo Tribunal de Justiça, que teve de libertar um homem considerado “perigoso” pela Polícia Judiciária (PJ).
Durante três semanas, esteve com a família no Cadaval, a norte de Lisboa, sabendo que durante um mês não podia ser emitido novo mandado de captura internacional. E só quatro ou cinco dias antes de terminar o prazo fugiu para Espanha, passando depois por Cabo Verde e Moçambique antes de se radicar no Brasil.
Ali, com o apoio de portugueses residentes, optou primeiro por passear, antes de decidir instalar-se em Juiz de Fora, a 180 quilómetros do Rio de Janeiro. E estava tão confiante quanto ao seu futuro que mandou viajar para junto de si parte da família, nomeadamente dois filhos maiores de idade.
Entretanto, nunca descurou os negócios, como comprovam os contactos realizados para saber como estava o imobiliário em Málaga (Espanha), actividade com que, segundo a PJ – que controlou sempre os seus movimentos –, branqueava dinheiro da droga.
Franquelim Lobo veio a ser detido em Campos, junto ao Rio de Janeiro, pela Polícia Federal brasileira, que, há já três meses, o investigava, por branqueamento de dinheiro vindo do tráfico de droga.
CARREIRA
Uma pena de 25 anos de cadeia, por chefia de associação criminosa e tráfico de droga agravado, a que foi condenado em 2000 pelo Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa, aguarda Franquelim Lobo no seu regresso a Portugal.
Para trás fica o registo de uma carreira de 20 anos, iniciada em 1985, com burlas, falsificações e, depois, assaltos à mão armada, embora nada disto tenha sido provado.
Em 1990, cumpriu sete anos de uma pena de 18 anos por tráfico. Em Setembro de 1999 voltou a ser detido mas fugiu um mês depois, só voltando a ser apanhado em Abril de 2004, em Espanha. Mas um erro judicial – ninguém referiu na extradição que tinha 25 anos de cadeia para cumprir – permitiu-lhe então um ‘habeas corpus’ por prisão ilegal e a possibilidade de encetar a fuga que agora chegou ao fim.
DEDICAVA-SE À EXPLORAÇÃO DE MINÉRIO
Franquelim Lobo refugiou-se há três meses no Brasil, estabelecendo-se em Juiz de Fora (Minas Gerais), onde tinha dois apartamentos alugados, além de uma outra casa na zona turística de Búzios. Na altura em que foi detido pela Polícia Federal (PF) tinha criado uma empresa dedicada à aquisição de licenças de exploração de minério. “Essa firma, a Soimporex, apenas existe no papel”, assegurou então ao CM José Carlos Tostes, delegado-chefe da PF em Minas Gerais. A empresa servia, ao que tudo indica, para lavar dinheiro do tráfico de droga, a exemplo do negócio imobiliário que Lobo tinha no Sul de Espanha quando aí foi preso. “Em pouco tempo conseguiu quatro licenças, usando outras pessoas, que compravam os títulos e depois repassavam ao Lobo”, explicou José Carlos Tostes. No entanto, Franquelim Lobo negou à PF qualquer negócio ilegal e explicou que “o dinheiro que lhe foi apreendido – um total equivalente a 6300 euros em reais e dólares – era fruto do seu trabalho” e afirmou que era “uma pessoa de muita luta”, que tudo o que tinha era “ganho honestamente”, negando o tráfico de droga e lavagem de dinheiro.
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