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Correio da Manhã

Portugal
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Loures guarda passado

Os vestígios da Villa Romana das Almoinhas, localizada em Loures, serão preservados, garante a autarquia. Os sinais do passado foram descobertos na sequência das obras nas vias de acesso a um supermercado a ser construído em breve nas imediações do local. Alvo de uma intervenção urgente de preservação, os achados arqueológicos estão neste momento a ser catalogados e inventariados para serem colocados à disposição da comunidade científica e público em geral.
31 de Agosto de 2006 às 00:00
De acordo com Paula Assunção, responsável pelo museu municipal de Loures, não será possível preservá-los a todos. “Parte dos objectos será transportada para o museu, para que possam ser estudados”, explicou. Naquela zona ainda “será criada uma área de reserva, não intervencionada”, que, no futuro, pode tornar-se objecto de interesse.
Entre os vestígios da Villa Romana das Almoinhas, situada junto à várzea de Loures, encontram-se, nomeadamente, poços, tanques, muros e piras funerárias.
Desde as primeiras intervenções, durante a década de 80, foram feitas várias descobertas, destacando--se quatro sepulturas e duas fossas, vários troços de muro, alguns tanques e uma lixeira. Estes achados permitem avaliar a importância de Loures, desde a presença dos romanos em Portugal – do séc. I ao V d. C.
Na opinião do presidente da Câmara de Loures, Carlos Teixeira, trata-se de um conjunto de achados muito importante para o município. “As áreas preservadas podem servir para promover o nosso turismo, tanto mais que estão localizadas muito perto do parque e do museu da cidade”, afirmou, sublinhando tratar-se de “um processo demorado, que está a ser feito com todos os cuidados”.
A área em questão, assegura o autarca, já estava identificada como sendo uma zona de elevado interesse arqueológico. Com o plano de construção de uma nova superfície comercial foi feito um levantamento do local. “O processo, que está a ser levado a cabo pela Câmara, pelo Lidl e pelo Instituto Português de Arqueologia, já provocou um atraso no arranque da obra. Desde o início, no entanto, todas as partes se mostraram interessadas na preservação destas descobertas. O Lidl, inclusive, já investiu cerca de 450 mil euros.”
Segundo Paula Assunção, a presença, ontem, em visita, de Fernando Real, director do Instituto Português de Arqueologia, no local das escavações, constitui uma prova “do cuidado e preocupação da Câmara com a situação”. “O estudo destes objectos é fundamental para entendermos a importância do nosso município e enquadrar e compreender melhor a presença dos romanos em Portugal”, referiu.
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