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Correio da Manhã

Portugal
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Loures pede ajuda ao Governo para erradicar barracas do bairro da Torre

Objetivo é encontrar solução de realojamento para as famílias.
3 de Outubro de 2016 às 17:52
Câmara Municipal de Loures
Câmara Municipal de Loures FOTO: Filipa Couto
A Câmara Municipal de Loures pretende encontrar, juntamente com o Governo e com a ANA - Aeroportos de Portugal, uma solução de realojamento para as famílias que ainda residem no bairro da Torre, alvo hoje de uma operação policial.

A Polícia Judiciária (PJ) realizou esta manhã, com o apoio da PSP, uma operação policial no bairro da Torre, na localidade de Camarate, concelho de Loures (distrito de Lisboa), remetendo o balanço para mais tarde.

Esta operação relaciona-se, segundo a SIC, com o crime ocorrido na sexta-feira no Porto Alto, no concelho de Benavente, distrito de Santarém.

Na sexta-feira ocorreu ali uma troca de tiros, na sequência de uma perseguição iniciada pouco antes na ponte Vasco da Gama, na região de Lisboa, quando três homens que seguiam numa viatura desobedeceram a uma ordem de paragem.

O bairro da Torre situa-se em terrenos contíguos ao Aeroporto Militar de Figo Maduro e ao Aeroporto Humberto Delgado (Aeroporto de Lisboa), sendo constituído por habitações precárias, nas quais residem ainda 68 famílias.

Este bairro, cujos terrenos pertencem maioritariamente à ANA - Aeroportos de Portugal, foi alvo de um processo de erradicação do seu núcleo habitacional entre 2008 e 2012, tendo sido realojadas as famílias que estavam abrangidas pelo Plano Especial de Realojamento (PER).

Foi atribuído um subsídio às restantes, para que encontrassem uma solução alternativa.

Esta tarde, em declarações à agência Lusa, a vereadora com o pelouro da Habitação e Coesão Social, Maria Eugénia Coelho, explicou que as famílias que vivem atualmente no bairro da Torre o fazem à revelia, uma vez que já tinham recebido apoio da Segurança Social para encontrar uma habitação alternativa.

"Até 2012 fizemos um trabalho de parceria com a Segurança Social para que as famílias que não estavam abrangidas pelo PER pudessem ser ajudadas financeiramente para encontrar uma outra habitação. No entanto, quando deixaram de receber esse subsídio, muitas famílias decidiram regressar ao bairro e reerguer a sua barraca", lamentou.

Contudo, a autarca, que integra o executivo municipal liderado pelo comunista Bernardino Soares desde 2013, ressalvou que desde que está em funções não permitiu que fosse reerguida mais nenhuma barraca.

"Assim que tentam construir alguma [barraca] nós demolimos. As que existem já cá estavam quando chegámos. Estamos a tentar encontrar uma solução de realojamento para estas famílias, embora não seja nossa obrigação", apontou.

Nesse sentido, Maria Eugénia Coelho referiu que a autarquia já solicitou reuniões com a ANA - Aeroportos de Portugal para discutir soluções para o bairro e que também já pediu apoio técnico à Faculdade de Arquitetura.

"Enquanto não aparece essa solução o nosso trabalho tem sido o de dar as melhores condições de salubridade às famílias. Sozinhos não podemos fazer mais. Precisamos de um apoio do Governo", apontou.
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