Catorze meses de inferno, dois deles trancado numa cela venezuelana. Mas a Luís Santos ainda faltavam 15 minutos, os mais sofridos da sua vida. Quarta- -feira, 20h00 locais (00h00 em Lisboa). De pé, o co-piloto português assistiu, um por um, à condenação dos restantes nove arguidos pelo Tribunal de Macuto. E, por último, a juíza olhou para ele. Estava inocente e foi posto em liberdade, eram 20h15 (00h15).
A juíza Maria Ester Roa condenou a nove anos de cadeia por tráfico de droga cada uma das três passageiras portuguesas que, em Outubro de 2004, alugaram à Air Luxor o avião – agora perdido para o Estado venezuelano. O Tribunal de Macuto considerou-as culpadas por tráfico dos 400 quilos de cocaína encontrados no porão do avião, estacionado no Aeroporto Internacional de Maiquetia, quando se preparavam para regressar a Portugal.
Os advogados de Maria Margarida Mendes, Maria Virgínia Passos e Maria Antonieta Luís já anunciaram recurso. E presos ficam ainda os seis venezuelanos: quatro condenados a quatro anos e seis meses e, os outros dois, a nove anos de cadeia. Os advogados disseram à Lusa que vão pedir a nulidade do julgamento por considerarem que o processo teve “vícios”.
Recorde-se que, com excepção de Maria Antonieta Luís, as portuguesas, residentes em Arraiolos, já estavam indiciadas por um processo de tráfico de droga, que continua a decorrer em Portugal.
Chegou assim ao fim o calvário de Luís Santos, depois de vinte adiamentos e catorze meses preso, à espera de julgamento. Quarta-feira, o Tribunal deu finalmente como provado que, tanto ele, como a restante tripulação, estavam inocentes.
“Quando o Luís recebeu a decisão da absolvição, foi referido que a tripulação, não só detectou bagagens estranhas no avião, como cumpriu o dever profissional de alertar as autoridades”, lembrou ontem ao Correio da Manhã o seu advogado, Manuel Salta.
O pior, garante, foram “os 15 minutos da última provação. Ninguém imagina o sofrimento e o sacrifício a que ele foi sujeito até ouvir a sentença”. E tudo porque, “numa situação destas, até ao ponto final da sentença, há grandes riscos para culpados e inocentes...”
Quanto ao co-piloto português, que só deve chegar a Lisboa no domingo, sente-se “um sobrevivente” e está “muito contente por se ter feito justiça”. No futuro, garante: “Sou piloto profissional. Se tiver um voo marcado para a Venezuela virei. Com os olhos muito abertos mas tenho de vir”.
Inicialmente detida, e libertada um mês depois, juntamente com o comandante da aeronave, a hospedeira Raquel Neves disse ao CM ter visto a libertação de Luís Santos “com um grande alívio”. “Ele devia ter saído há um ano, na mesma altura que eu. De qualquer forma, fico muito contente e foi a melhor prenda de Natal que podia ter.”
'QUEM TEM INFLUÊNCIA SAFA-SE'
António Marinho, advogado das três portuguesas condenadas na Venezuela a nove anos de cadeia, não se conforma com a “sentença terrorista” do Tribunal. “Foram condenadas pessoas que estão claramente inocentes. E tudo sem que tenha sido feita qualquer prova que justificasse a condenação”, disse ontem ao CM.
Sem se referir directamente a Luís Santos ou à restante tripulação da Air Luxor, o advogado garante que “nunca se viu em Portugal uma campanha tão intensa na Comunicação Social como neste caso”. “Falo do Presidente da República, do procurador-geral da República e do próprio Governo.” Campanha essa que, segundo António Marinho, “foi feita em favor de quem tem dinheiro e poder. Por exemplo, a sr. d. Antonieta Luís também não está indiciada em qualquer processo em Portugal e está tão inocente como eles. Agora, vejam se teve o mesmo tratamento...”.
Para o advogado, só há uma explicação: “Lá como cá, quem tem dinheiro, poder e influência safa-se sempre. Aliás, até é estranho que elas sejam condenadas por tráfico de 400 quilos de cocaína e só apanhem nove anos de prisão...”.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.