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Correio da Manhã

Portugal
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Luz verde para células estaminais

O Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) admite, afinal, a utilização de células estaminais de embriões na investigação, mas apenas em situações excepcionais, uma posição que revela abertura num assunto controverso.
29 de Novembro de 2005 às 00:00
Investigação de células embrionárias, mas em casos muito restritos
Investigação de células embrionárias, mas em casos muito restritos FOTO: Pedro Catarino
Paula Martinho da Silva, advogada e presidente do CNECV, afirmou ontem, em Lisboa, que houve consenso do Conselho. “A destruição de embriões criopreservados com o fim específico de obtenção de células estaminais destinadas à investigação constitui uma instrumentalização contrária à sua dignidade.”
Contudo, acrescenta, são admitidas excepções: “A colheita de células estaminais de embriões que não é por si própria causa de destruição desses embriões não levanta objecções éticas.”
ALTERNATIVA À DESTRUIÇÃO
O biólogo Pedro Fevereiro apresenta a possibilidade da utilização das células estaminais do embrião na investigação científica como alternativa à sua destruição.
“Quando os progenitores desistem do embrião criopreservado, porque já não querem mais filhos e não há um projecto de vida para o embrião, deve ser doado a outro casal inscrito em programas de infertilidade. Se o embrião não for para doação, em vez de ser destruído, o Conselho admite a utilização de células estaminais na investigação.”
O especialista em anatomia patológica Jorge Soares avança com outra circunstância da sua utilização: “Na procriação medicamente assistida pode acontecer o embrião não ter qualidade morfológica para ser implantado no útero, porque tem algum defeito genético, mas pode ter células que podem ser investigadas.”
O neurocirurgião João Lobo Antunes considera que “não é só a perspectiva terapêutica que importa, mas a compreensão do ser humano. Este é um parecer equilibrado, que abre portas ao material que se colhe, e é favorável à investigação, mas resguarda alguns pareceres éticos no conceito da instrumentalização da vida humana.
As células estaminais têm a capacidade de se transformar em qualquer tecido celular e encontram-se nos embriões, no sangue do cordão umbilical e no organismo adulto.
O parecer foi tomado após audição das Ordens dos Médicos, Médicos Veterinários, Biólogos, Sociedade Portuguesa das Células Estaminais e dos especialistas Mário Sousa e Leonor Carreira.
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