Um ano após o anúncio da decisão de construção do aeroporto de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete, não está definido se as deslocações de mais de cem mil aves que vivem entre o Tejo e o Sado colocarão em perigo a segurança dos aviões. A NAER-Novo Aeroporto informa que em breve arrancará o estudo dos movimentos de avifauna, adjudicado à Nemus. As conclusões serão conhecidas em Julho de 2010. <br/><br/>
Ricardo Tomé, um dos biólogos que irá realizar este estudo, disse ao CM que a anterior análise ambiental estratégica, coordenada pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), "recomendava um novo trabalho que avaliasse a deslocação das aves, na área do futuro aeroporto". Isto porque os técnicos do Central Science Laboratory que participaram neste estudo estiveram no terreno entre Agosto e Outubro de 2007.
A maior concentração de aves ocorre, contudo, entre Dezembro e Março, período em que 45 mil maçaricos-de-bico-direito chegam a Portugal para se alimentar nos arrozais existentes nas proximidades do Tejo e Sado. Para a equipa de investigadores da Universidade de Groningen, na Holanda, é já conhecido que estas aves irão cruzar as rotas dos aviões.
Segundo explicou o biólogo Pedro Lourenço, "no âmbito deste projecto as aves são marcadas com anilhas para serem observadas com o auxílio de um telescópio. "As observações mostram que decorrem movimentos cruzando a área do futuro aeroporto".
NOVO AEROPORTO AMEAÇA ESPÉCIE EM RISCO
O biólogo Pedro Lourenço integra a equipa de investigadores da Universidade de Groningen, na Holanda, que desde 2004 estuda as deslocações dos bandos de maçaricos-de-bico-direito entre o Norte da Europa e o estuário do Tejo. Pedro Lourenço defende que a construção do aeroporto terá consequências muito negativas para os maçaricos.
"Esta ave é uma espécie ameaçada, incluída na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, pelo que a destruição de uma tão vasta área de habitat não pode ser encarada de ânimo leve", disse. O biólogo entende que a escolha da localização do aeroporto recaiu na área do País com maior concentração de aves e próxima de uma área protegida, o que torna inviável o projecto.
ESTUDOS QUESTIONAM ALCOCHETE
Há pelo menos três estudos ambientais que sublinham desvantagens da construção do Aeroporto em Alcochete. Em Fevereiro de 2008, a análise ambiental estratégica, do LNEC, referia que "as aves poderão atravessar com frequência os corredores de aterragem e descolagem".
Em Março, o Instituto de Conservação da Natureza emitiu um parecer, não-vinculativo, que considera que a protecção da biodiversidade exige a imposição de condições tão complexas que acaba por defender o chumbo do aeroporto. O potencial de colisão de aves com aviões é também sublinhado na avaliação ambiental do Instituto de Ambiente e Desenvolvimento da Universidade de Aveiro.
MAÇARICO-DE-BICO-DIREITO (Limosa limosa)
Migratória, está presente em Portugal sobretudo no Inverno. Tem porte médio/grande, com 35 a 45 cm de comprimento, uma envergadura de cerca de 75 cm e com 160 a 440 gr. de peso. A espécie que passa pelo nosso país usa com habitat os arrozais. O seu principal alimento são as sementes de arroz caídas nos campos depois da ceifa. A sua população sofreu um acentuado declínio nas últimas décadas e está actualmente na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais das espécies ameaçadas.
SAIBA MAIS
MELHOR TECNOLOGIA
A NAER, Novo Aeroporto, divulgou que utilizará as tecnologias mais modernas e apropriadas para evitar colisões de aves com aviões.
41
Número de espécies ameaçadas na área do Campo de Tiro de Alcochete.
126
Notificações entregues, em 2007, no Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves por colisão de aves com aviões.
27 ACIDENTES GRAVES
A NASA revelou que nos últimos dois anos se registou 27 colisões graves de aves com aviões nos E.U.A.
RISCO AVALIADO
Na escolha da melhor localização para o aeroporto de Lisboa, o risco de colisão com aves foi levado em conta na decisão final.
MILAGRE EM NOVA IORQUE
A 15 de Janeiro a perícia do piloto contribuiu para que amarasse um avião com 155 a bordo no rio Hudson, Nova Iorque, após colisão com um bando de gansos.
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