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Correio da Manhã

Portugal
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Mãe ameaça atirar bebé do 7.º andar

Mulher, de 30 anos, sofre de depressão pós-parto. Pai do menino, de 15 dias, sofreu ferimentos ao impedir namorada de chegar perto da janela. Autoridades não informaram Ministério Público.
6 de Setembro de 2010 às 00:30
Progenitora queria suicidar-se com a criança
Progenitora queria suicidar-se com a criança FOTO: Nuno Fernandes Veiga

Desde que o filho nasceu, há 15 dias, que Maria, nome fictício, sofre de uma grave depressão pós-parto. Recusa-se a tomar conta do bebé e a desempenhar o papel de mãe. Ontem à tarde, a mulher, de 30 anos, ameaçou mesmo matar a criança. Completamente fora de si, pegou no bebé ao colo e disse ao namorado que o ia atirar do 7º andar de um prédio, na Póvoa de Varzim.

Assustado, o homem conseguiu impedir a namorada. Maria ainda o agrediu e tentou por várias vezes chegar perto da janela, o que acabou por nunca conseguir. Os bombeiros e a PSP da Póvoa de Varzim estiveram no local, mas a mulher recusou-se a ir ao hospital. Por sua vez, as autoridades desvalorizaram o caso e, ao contrário do que magistrados contactados pelo CM garantem ser obrigação das autoridades, não informaram o Ministério Público.

"Havendo um recém-nascido em risco não pode haver excesso de confiança. A situação deve ser comunicada ao MP, porque o bebé pode ser retirado de imediato à família e a mãe internada compulsivamente até ter condições para cuidar da criança", afirmou um procurador ao CM. Ainda segundo o CM apurou, neste caso as ameaças de Maria não seriam novidades. Há alguns dias, a mulher afirmou ao companheiro que ia matar o filho recém-nascido. E ontem, por volta das 14h00, voltou a expressar a vontade de acabar com a vida da criança. "Vou-me atirar da janela e o bebé vai comigo", disse, perante o pânico do namorado. "Ele estava com muito medo do que a mulher pudesse fazer ao bebé", contou uma testemunha ao CM.

Na rua Campo Desportivo da Póvoa poucos foram os moradores que se aperceberam do que efectivamente aconteceu. "Vi os bombeiros, a polícia e algumas pessoas a olhar para o prédio. Só se ouviam gritos", explicou Nilton Carvalho, morador na zona.

MEDICAÇÃO PRESCRITA ERA MUITO FORTE

Maria estava a tomar medicamentos para curar a depressão. No entanto, ao que o CM apurou, a medicação que lhe foi prescrita pelo médico não estaria a fazer efeito. "Os medicamentos eram muito fortes e não estavam a fazer nada bem à senhora", explicou ao CM fonte policial.

Hoje, a mulher deverá deslocar--se ao Hospital de Póvoa de Varzim para que lhe sejam receitados novos medicamentos. No prédio onde o casal reside poucos são os que conhecem a família. "Neste prédio poucas são as pessoas que se conhecem. Apercebemo-nos que se passava algo de muito grave porque vimos aqui a polícia", explicou um morador.

O CM tentou ainda falar com um familiar do casal que se recusou a dar esclarecimentos. "São coisas entre um casal", afirmou.

CASO DEVE SER ACOMPANHADO PELA COMISSÃO

Visto as autoridades não terem encaminhado o caso para o Ministério Público, mãe e filho deverão agora ser acompanhados pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ). Até que Maria recupere da depressão pós-parto, o bebé estará sempre numa situação de perigo iminente. Nestes casos, a CPCJ tem o dever de intervir junto da família e garantir que o bebé não corre novamente risco de vida. Após as autoridades chegarem ao local, Maria recusou-se a ir ao hospital, tendo-se refugiado em casa do pai, em Barcelos, onde diz que irá permanecer durante as próximas semanas.

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