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Correio da Manhã

Portugal
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MÃE E DUAS FILHAS MENORES ENTREGUES À CARIDADE

Maria Isabel Gameiro, de 42 anos, diz de si que andou sempre "aos tombos, daqui para ali". Acompanharam-na as filhas menores Dionísia, uma adolescente de 14 anos, e Débora, uma criança deficiente, de 3anos.
3 de Setembro de 2003 às 00:00
Maria Isabel diz que saiu de casa com as filhas por não suportar mais os maus tratos do companheiro
Maria Isabel diz que saiu de casa com as filhas por não suportar mais os maus tratos do companheiro FOTO: Marta Vitorino
O último "tombo" sobreveio quando, em Junho, o companheiro expulsou Isabel da habitação, após mais um episódio de "agressão física e psicológica". Naquela hora de angústia valeu-lhe a porta aberta da casa de Clementina Pessoa, em Agualva-Cacém, Sintra. Só que a "vida é mesmo assim": a família não pode continuar a viver ali, à custa de quem a acolheu. Mas não tem para onde ir.
"Eu só queria um cantinho para mim e para as minhas filhas", pede Isabel, que deixa correr as lágrimas à vontade, pois precisa das mãos, que podiam limpá-las, para segurar a filha deficiente, com um quadro clínico de microcefalia e atraso de desenvolvimento psicomotor. A Débora diz apenas duas ou três palavras, uma delas "mãe".
A mãe dela diz: "Vivo de nada", afirmando compreender que representa, com as filhas, uma sobrecarga para o orçamento de Clementina Pessoa, funcionária pública. "Peço-lhe dinheiro para as fraldas da menina, para os transportes. É ela quem paga os medicamentos da Débora. E a Dionísia vai começar a escola. Como hei-de conseguir comprar-lhe o material escolar?" pergunta-se.
Maria Isabel viveu, entre Abril e Novembro de 2002, no Centro de Acolhimento Temporário para Mulheres em Situação de Risco de Pexiligais, no Algueirão. Ali encontrou refúgio após ter abandonado o companheiro e pai de Débora.
Maria Isabel começou então a frequentar um curso, remunerado, da Santa Casa da Misericórdia. Mas a Débora precisava de cuidados permanentes e, para estar ao pé dela, a mãe faltava muitas vezes. Por isso, segundo diz, mandaram-na embora. Nessa altura voltara a viver com o companheiro. Mas já não tinha dinheiro para pagar a renda. "Ele tirou-me a chave e eu saí de casa, por já não suportar mais os maus tratos. Não volto lá", garante.
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