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Correio da Manhã

Portugal
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MÃE E FILHA MORREM QUEIMADAS EM CASA

Mãe e filha morreram carbonizadas num incêndio de contornos suspeitos que terá ocorrido há vários dias no sítio do Mouchão, freguesia de Alcantarilha, concelho de Silves. Os corpos de Alzira de Jesus Santos, de 76 anos, e Diamantina dos Santos Cabrita, de 49, foram encontrados num quarto da modesta casa onde moravam, sob as ruínas do tecto, que caiu devido às chamas.
27 de Abril de 2003 às 00:39
Lurdes Batalha, filha de Alzira e irmã de Diamantina, veio visitar a família no fim-de-semana e deparou com a tragédia. “Estranhei o tamanho das ervas, na proximidade de casa, pois não é normal o caminho estar tão mal cuidado. Bati à porta e também estranhei que a chave estivesse do lado de fora, pois a minha mãe não tinha esse hábito”, conta, ainda combalida, a familiar mais próxima das vítimas.
Passados uns dez minutos – “pensámos que pudessem estar por perto, a procurar lenha” –, o marido de Lurdes, António Batalha, decidiu abrir a porta e deparou com os corpos carbonizados. “Não disse nada à minha mulher nesse momento, pois ela é nervosa. Só mais tarde a pus ao corrente de tudo. E, pela forma como o caminho estava, assim como o estado esquelético dos cães, concerteza morreram há várias semanas.”
Os familiares têm “motivos para acreditar que algo de anormal se passou. Há suspeitas de fracturas dos ossos e não parece lógico que duas pessoas se deixem morrer na cama, queimadas, deitadas ao lado uma da outra mas em sentido oposto, quando o quarto até tem uma porta para o exterior. Além disso, não costumavam dormir juntas...”
António Batalha alertou as autoridades e a GNR de Silves tomou conta da ocorrência, solicitando a posterior intervenção da Polícia Judiciária, devido às dúvidas suscitadas pela forma como ocorreu a morte de mãe e filha.
Os restos dos corpos estavam sob os escombros da casa e a sua remoção foi conduzida por uma equipa da Polícia Científica, face à suspeita de crime, com o trabalho a ficar concluído ao final da tarde de ontem, depois de recolhidos diversos materiais que serão objecto de análise.
Os estranhos contornos do caso podem levar – como parece ser do interesse das autoridades – a que as autópsias fiquem a cargo de peritos do Instituto de Medicina Legal, de Lisboa, embora ainda não esteja afastada a possibilidade das mesmas decorrerem em Portimão. Uma decisão será tomada amanhã.
Os familiares pretendem saber se houve crime ou não. “Há indícios fortes de ter acontecido algo de estranho. Cabe às autoridades averiguarem, embora o esclarecimento do caso de pouco sirva para aliviar a dor sentida”, diz Lurdes Batalha.
Alzira de Jesus Santos vivia no sítio do Mouchão desde os 17 anos, quando casou, e Diamantina nasceu e sempre morou ali, à excepção de um período de cerca de três anos em que esteve casada. Segundo Lurdes Batalha, “desde que o meu pai morreu, há oito anos, elas passaram a viver num maior isolamento.”
Os problemas de saúde de Diamantina – doente do foro psiquiátrico - também contribuíram para o afastamento dos vizinhos, conforme nos foi confidenciado. “Por vezes ela tinha atitudes violentas”, afirmou a cabeleireira Carla, com um salão nas proximidades.
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