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Correio da Manhã

Portugal
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MÃE E PADRASTO LIVRES

O indivíduo acusado de maltratar o bebé de 17 meses que morreu à porta do Centro de Saúde de Grândola em Julho de 2002 foi ontem condenado pelo Tribunal desta vila a uma pena de prisão de dois anos, suspensa por três. A mãe da criança, acusada pelo mesmo motivo, foi absolvida.
15 de Julho de 2003 às 00:00
Os avós maternos de Tiago Serro foram algumas das testemunhas de Acusação
Os avós maternos de Tiago Serro foram algumas das testemunhas de Acusação FOTO: cm
As provas recolhidas pela investigação e resultado da autópsia revelaram que a principal causa da morte de Tiago Serro foi uma hipertermia e não desidratação, tal como era apontado pela Acusação. De salientar que o perito médico que procedeu à autópsia garantiu numa audiência que existiam líquidos no estômago da vítima.
Contudo, o colectivo de juízes levou em conta parte do relatório da autópsia que confirmava a existência de duas lesões traumáticas, “talvez resultantes de agressões“, e o depoimento de algumas testemunhas de Acusação para condenar o padrasto Jorge Ganhão, que se encontrava em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Setúbal desde 29 de Julho de 2002. Na decisão da suspensão da pena, os juízes tiveram, no entanto, em consideração os depoimentos abonatórios de algumas testemunhas e o facto do casal ter uma menina com nove meses.
O juiz disse mesmo que o colectivo entendeu “dar uma oportunidade” ao padrasto, um jovem ligado ao consumo de estupefacientes.
Quanto à mãe do menino, Carla Conceição - que se encontrava obrigada a apresentações semanais às autoridades da área de residência, em Benavente -, o juiz referiu que pecou por não ter levado a criança ao médico para realizar alguns exames, depois de aconselhada por um outro clínico uns meses antes da sua morte.
A morte do bebé ocorreu na tarde de 13 de Julho de 2002, numa viagem entre Portimão (residência dos avós maternos) e Benavente (residência dos pais do padrasto). Nesse domingo, a viagem teve início pelas 13h00 debaixo de 30 graus e, pouco depois, o carro em que seguia a criança, a mãe, Jorge Ganhão e a progenitora deste, abrandou a marcha devido a um fogo de grandes proporções, que causou o corte de trânsito no IC1. Apesar de não ter ar condicionado, o fumo intenso levou um dos viajantes a fechar os vidros do veículo e o calor tornou-se insuportável. Antes da Mimosa, a criança terá começado a suar bastante, revirando os olhos e espumando. Numa estação de serviço desta localidade terão chamado uma ambulância que, escoltada pela BT, transportou o bebé até ao Centro de Saúde de Grândola, onde chegou já sem vida.
À saída da sala de audiências, Zulmira Ganhão, mãe do padrasto do bebé, referiu apenas ao nosso jornal que irá “interpor recurso, porque o Jorge nunca fez mal a ninguém”.
MAUS TRATOS
CIGARROS
Segundo uma vizinha dos avós do bebé, residentes em Portimão, o padrasto da criança chegou, uma vez, a passar cigarros acesos junto aos olhos da criança. A cena foi vista por esta testemunha da janela da sua casa, numa altura em que o menino e o padrasto se encontravam no interior de uma viatura.
QUEIMADURAS
Os pais da mãe de Tiago Serro referiram que o padrasto chegou a queimar uma mão da criança com um ferro de engomar. Estas e outras agressões, bem como a suspeita de subnutrição, levaram os avós a apresentar queixa no Ministério Público e pedir tutela do neto à Comissão de Protecção de Menores.
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