Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
7

Mãe foi constituída arguida

A mãe das duas irmãs de cinco e quatro anos mortas há uma semana, no incêndio em Vila D’Este, foi constituída arguida na PJ do Porto, após ter sido convocada de emergência, por telefone, para o interrogatório.
31 de Dezembro de 2005 às 00:00
Vera Lúcia Costa Tavares, de 25 anos, não quis prestar declarações ao CM, à saída da Directoria da PJ do Porto. Só confirmou a qualidade de arguida, já antes do interrogatório, que demorou cerca de duas horas.
Ouvida pela brigada que investiga os casos de fogo, a mãe das vítimas – Daniela (cinco anos) e Bianca (quatro anos) – limitou-se a dizer que vai falar com o advogado que contratou. Acompanhada por um casal que a tem apoiado, pediu para não fazerem perguntas ou tirarem fotos, pois já tinha sido fotografada quando entrou para o interrogatório.
Ao contrário do que tem vindo a ser noticiado pelo ‘Público’, o caso está longe de encerrado. Antes disso, não se pode acusar ou ilibar a mãe e o pai das crianças, ambas mortas por intoxicação, na noite de sexta-feira, na antevéspera de Natal.
O interrogatório era o desfecho lógico para esta fase das investigações – só a mãe sabia, ao certo, em que circunstâncias deixou as filhas fechadas em casa, pelas 23 horas, quando foi procurada à porta do edifício pelo pai das miúdas.
A residir no sétimo andar, Vera Lúcia, dado o adiantado da hora, desceu para falar com David. Foi ao café da Associação de Moradores de Vila D’Este, quando subitamente se apercebeu da desgraça. Nem ela, nem o pai conseguiram tirar com vida as meninas do incêndio.
AINDA SEM ACUSAÇÃO
Vera Lúcia incorre numa pena de um a três anos, por eventual crime de negligência, ou cinco anos, caso seja considerado negligência grosseira. Mas a mãe só está indiciada e não há sequer ainda acusação.
Em casos deste tipo, aliás, o mais comum é os juízes, mesmo quando condenam os arguidos, optarem pela suspensão das penas.
A casa não tinha luz, nem água, sendo à luz de velas que mãe e filhas se iluminavam à noite. Vera Lúcia é mãe solteira e diz que lutava sozinha para criar as meninas. O futuro dirá se realmente assim era ou se, pelo contrário, foi negligente.
ESTADO DE CHOQUE
Vera Lúcia entrou em estado de choque após a tragédia, tendo sido internada no Serviço de Psiquiatria do Hospital Santos Silva, em Gaia. A mãe assistiu aos funerais terça-feira, em Vilar de Andorinho, Vila Nova de Gaia, estando muito debilitada com a morte das duas filhas. Tem sido apoiada por familiares e amigos.
HISTORIAL DO CASO
FALTOU AVÓ MATERNA
O falecimento da avó materna terá sido o princípio do fim de Daniela e Bianca, pois até há meio ano era ela quem tomava conta das netas, com o apoio do marido, o avô das miúdas.
Daniela e Bianca andavam no infantário O Filhote, mas ao ficar sem dinheiro para pagar as mensalidades, Vera Lúcia fez limpeza no estabelecimento e evitou a saída das filhas, uma situação que mereceu elogios da parte da vizinhança.
OS MINUTOS TRÁGICOS
Na passada sexta-feira, 23 de Dezembro, Vera Lúcia, que se encontrava sozinha com elas, desceu ao rés-do-chão, pois o pai das filhas, David, foi até à Urbanização de Vila D’Este, já para falar com Vera Lúcia.
Os pais das crianças foram tomar café, no bar da Associação de Moradores de Vila D’Este, que fica em frente, mas passados poucos minutos, a tragédia já era uma realidade. Correram, até ao sétimo e último andar, a fim de salvar as filhas, mas a morte já se tinha antecipado.
JUNTA APOIA FAMÍLIA
A Junta de Freguesia de Vilar de Andorinho, de Vila Nova de Gaia, tem apoiado a família. O presidente da autarquia local, Manuel Monteiro, decidiu, com acordo do executivo, pagar os funerais de Daniela e Bianca. Mais de metade da população de Vilar de Andorinho mora na Urbanização de Vila D’Este e a maioria foi para ali vinda de outras freguesias de Vila Nova de Gaia, para realojamento.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)