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Correio da Manhã

Portugal
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Mãe menor rapta filha

Uma menina de sete meses, que estava à guarda do avô materno, em Santa Clara, Coimbra, foi raptada segunda-feira pela mãe – uma jovem de 16 anos que exige criar a filha – e resgatada pela PJ passadas poucas horas.
9 de Janeiro de 2008 às 00:00
O rapto aconteceu ao final da manhã, pouco tempo depois do avô, a menina e dois indivíduos terem estado no Instituto de Medicina Legal de Coimbra a fazer exames para se apurar qual dos últimos é o pai da criança.
Carlos Matias, o avô materno, contou ontem que a filha, acompanhada por dois homens “desconhecidos” da família, foi a sua casa – onde estavam a criança, a sua mulher e a enteada. “Eles tocaram à campainha, dizendo que andavam a vender publicidade. A minha mulher afirmou que não queria saber, mas eles insistiram e acabaram por rebentar a porta de casa”, conta o avô, adiantando: “Já dentro de casa, agarraram a minha enteada e a Mara (a filha) retirou a criança (Joana F.) do colo da minha mulher e fugiram”.
Apesar do comportamento “esquisito” da filha nos últimos tempos, Carlos Matias nunca pensou que fosse capaz de “invadir” a sua casa e “raptar a menina”.
O rapto foi comunicado à PSP e à PJ Coimbra, que viria a encontrar a bebé na noite de segunda--feira em casa da ex-mulher de Carlos Matias, a avó materna. A PJ identificou a mãe da criança e ontem à noite continuava à procura dos dois indivíduos que a ajudaram e agiram “com violência para conseguir os seus intentos”.
“A nossa principal preocupação foi encontrar a criança e zelar pela sua segurança. Agora desenvolvemos diligências com vista a identificar os outros intervenientes no caso”, explicou um informador policial, salientando que o futuro da menina será decidido pelo Tribunal de Família e Menores de Coimbra.
Mara é filha de pais divorciados e viveu com a mãe até uma semana antes da bebé nascer, altura em que procurou o pai, que a acolheu e prometeu ajudá-la a criar a neta. Quando Joana F. nasceu, porque estava numa família de risco, a Comissão de Protecção de Menores (CPM) de Coimbra promoveu um acordo entre a mãe e o seu pai, estabelecendo-se que Carlos Matias ficava com a guarda da menor. Um acordo que a jovem quer agora desfazer.
O maior receio de Carlos Matias é que a menina desapareça, até porque o actual namorado da filha – um indivíduo luso-francês “que saiu da cadeia no ano passado” – terá ameaçado que “um dia ainda a vendia”.
“Desde essa altura temi que algo de mal pudesse acontecer à minha netinha. Felizmente que a polícia agiu com rapidez e a encontrou, porque senão não sei o que ia ser dela”, diz o avô, de 40 anos, manobrador de gruas, que tem recebido “várias ameaças de morte. Vivo em pânico e com receio que façam mal à minha família”.
PATERNIDADE ESTÁ POR APURAR
Segundo Carlos Matias, a filha “ainda não sabe quem é o pai da criança” e a paternidade está a ser apurada. Mara J. identificou dois jovens, de 18 e 22 anos, residentes em Coimbra e Anadia, como presumíveis pais. Na segunda-feira, deslocaram-se todos – mãe e supostos progenitores – ao Instituto de Medicina Legal de Coimbra, onde realizaram exames periciais. Os resultados serão conhecidos dentro de dois meses. Entretanto, a menina está internada numa instituição de solidariedade social de Coimbra até que o Tribunal de Família e Menores decida quem vai ficar com a sua guarda. O processo pode ser moroso e “bastante complexo” porque a criança poderá ser disputada por três partes: avô, mãe ou o pai.
"DEI-LHE TODO O MEU APOIO"
A gravidez de Mara J. foi uma “grande surpresa” para Carlos Matias, que se divorciou pouco depois da filha nascer. “Ela sempre viveu com a mãe, até ao dia em que me apareceu em casa já no fim do tempo de gravidez. Eu não lhe podia fechar a porta. Fui com ela ao médico e dei-lhe todo o apoio”, recorda. No início “tudo correu muito bem” até ao dia em que a menor fez 16 anos. “A partir do passado mês de Novembro começou a dizer que queria sair de casa com a menina para ir viver com o namorado, que eu nunca aceitei em minha casa. Eu avisei-a de que tínhamos um acordo assinado com a Comissão de Menores e que ela não podia fazer asneiras. Infelizmente não me ouviu”, afirma Carlos Matias, que abandonou a vida de emigrante em Barcelona – “onde ganhava muito dinheiro” – para poder estar junto da neta e ajudá-la a crescer”. Carlos Matias garante que vai fazer tudo para conseguir a guarda da menina, porque a filha “não tem as mínimas condições para a criar e educar”. “Ela anda com más companhias que lhe vão desgraçar a vida”, garante.
SAIBA MAIS
- 2582 menores de 18 anos foram dados como desaparecidos pelos pais nos anos de 2005 e 2006. A maior parte são raptos parentais ou adolescentes que voltaram para casa uns dias depois.
- 63 crianças com menos de 12 anos foram dadas como desaparecidas às autoridades policiais portuguesas nos primeiros quatro meses do ano passado.
LEVOU A FILHA
O Tribunal da Madeira condenou a oito anos de cadeia – reduzida para seis pelo Supremo – um homem que sequestrou a filha de dois anos, em Fevereiro de 2004. A menina vivia com a mãe e nunca foi encontrada.
SALVOU BEBÉ
Uma mulher conseguiu impedir que um indivíduo lhe roubasse o filho de um ano, que levava num carrinho de bebé, em Junho de 2006, em Lisboa. O sequestrador tentou retirar o bebé do carrinho, mas foi impedido pela mãe, vindo a ser detido.
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