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Correio da Manhã

Portugal
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Máfia de Leste dava choques a prostitutas

A detenção de sete ucranianos, seis homens e uma mulher, por suspeita da prática dos crimes de associação criminosa, associação de auxílio à imigração ilegal, extorsão, roubo, lenocínio, tráfico de mulheres e falsificação de documentos foi o resultado de uma operação que envolveu 80 inspectores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), anteontem desencadeada em vários locais do Algarve.
27 de Setembro de 2005 às 00:00
Os sete ucranianos, agora detidos pelo SEF, obrigavam, com violência, mulheres a prostituírem-se
Os sete ucranianos, agora detidos pelo SEF, obrigavam, com violência, mulheres a prostituírem-se FOTO: arquivo cm
O grupo, agora desmantelado, tinha em seu poder instrumentos utilizados para descargas eléctricas em pessoas, o que indicia a prática de torturas sobre mulheres para as extorquir e obrigar à prática da prostituição. Caso oferecessem resistência eram castigadas. As vítimas eram jovens prostitutas – entre os 18 e os 30 anos –, quase todas com muito boa apresentação e de várias nacionalidade, sendo todas vindas do Leste Europeu.
Os choques eléctricos, e outras situações ligadas à rede, vão agora ser investigadas pelas autoridades policiais para se apurar a real perigosidade das sete pessoas detidas.
Na operação, os inspectores do SEF efectuaram onze buscas domiciliárias e 15 a automóveis, dois dos quais, por terem no seu interior objectos furtados, ficaram apreendidos.
Essas buscas permitiram ainda a apreensão de mais de 7000 euros em dinheiro e comprovativos de transferências bancárias efectuadas de Portugal para vários países, em valores que rondam os 35 000 euros, o que leva a crer que a actividade do grupo era bastante lucrativa.
A apreensão de vários documentos falsos confirma também que os detidos tinham a possibilidade de ‘legalizar’ as mulheres que depois exploravam.
O SEF, que já desde meados de Maio investigava estes ucranianos, apreendeu ainda gazuas habitualmente utilizadas para o roubo de automóveis, o que indicia que, além do ‘negócio’ ligado à imigração ilegal e à exploração de mulheres na prática da prostituição, o grupo se dedicava ao roubo de viaturas.
Segundo o SEF, o grupo actuava em todo o Algarve, mas com especial incidência em Portimão, Lagoa, Albufeira, Faro e Tavira.
Os detidos foram ontem presentes ao Tribunal de Loulé, não sendo conhecidas até ao fecho desta edição as medidas de coacção aplicadas.
ACTIVIDADE LUCRATIVA
NEGÓCIO
A utilização de mulheres imigrantes – muitas delas em situação ilegal – na prática da prostituição é um negócio cada vez mais frequente no Algarve. Indivíduos, na sua generalidade imigrantes, tornam-se donos de um negócio que já movimenta muitos milhares de euros. O recurso à violência sobre as mulheres é uma prática muito comum.
ANÚNCIOS
Bares de alterne, mas sobretudo os anúncios na Imprensa, são utilizados para a exposição das mulheres que se dedicam à prostituição. Uma simples chamada para um telemóvel permite ‘alugar’ os serviços dessas mulheres que, em muitos casos, têm um ‘empresário’ que lhes leva grande parte do rendimento obtido nas sessões de sexo.
VIGILÂNCIA
As autoridades têm, nos últimos tempos, intensificado a vigilância sobre a actividade de vários grupos ligados à prostituição. Esta operação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras veio no seguimento de outras investigações que estão a ser realizadas em toda a região, incidindo em mulheres oriundas principalmente do Leste Europeu e do Brasil.
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