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Correio da Manhã

Portugal
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Máfia explorava cem crianças

Obrigavam menores e mulheres a furtar residências e exploravam-nos debaixo de um clima de terror. O grupo de Leste, acusado de 239 assaltos por todo o País, controlava 100 crianças no seio das suas células organizadas para o crime. A revelação foi feita ontem no Tribunal de São João Novo, no Porto, na terceira sessão do julgamento do grupo que ficou conhecido como ‘Máfia de Leste’.

20 de Outubro de 2010 às 00:30
Menores eram obrigados a furtar residências e eram espancados pela rede de Leste
Menores eram obrigados a furtar residências e eram espancados pela rede de Leste FOTO: Simulação/Getty images

A informação foi avançada no depoimento do instrutor do processo, ouvido em tribunal durante todo o dia de ontem. António Santos Pereira, da PSP, descreveu ao colectivo de juízes a organização do grupo oriundo de países da antiga Jugoslávia e da Roménia. Os líderes mantinham debaixo da sua alçada várias células que actuavam em vários pontos do País, nas quais se incluíam 100 menores. Exploravam as crianças e as mulheres, espancando-as e obrigando-as a roubar. Os produtos dos roubos eram entregues a um grupo conhecido por ‘Tias’, que se deslocava em autocaravanas, ou eram enterrados em locais previamente escolhidos.

Aos 21 arguidos, dos quais apenas seis estão no banco dos réus, podem-se juntar mais suspeitos. António Santos Pereira disse que ainda há identidades de indivíduos por confirmar e que estão também a ser investigados pela Interpol e pela Polícia Italiana. O grupo terá ainda ligações às máfias italiana, francesa, espanhola e alemã.

A única arguida que falou ontem em tribunal confessou o seu crime de furto, alegando que foi levada para a Costa de Caparica com esse propósito. Nitidamente amedrontada, não apontou o nome de outros comparsas.

QUINZE ARGUIDOS LIBERTADOS ESTÃO EM FUGA

Dos 21 arguidos, 15 estão foragidos à Justiça. Na altura da detenção, em Março de 2009, apenas seis ficaram em prisão preventiva e os restantes foram postos em liberdade. Desde essa altura que se desconhece o paradeiro desses suspeitos, razão pela qual o colectivo de juízes decidiu separar os 15 processos para iniciar o julgamento.

A rede foi desmantelada pela Divisão de Investigação Criminal da PSP do Porto, na ‘Operação Anzol’, que decorreu de norte a sul do País. Os suspeitos terão provocado prejuízos de mais de seis milhões de euros, entre os anos de 2008 e 2009.

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