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Correio da Manhã

Portugal
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Magistradas vêem pedófilo em acção

O pedófilo estava em escuta telefónica no preciso momento em que, na quarta--feira à noite, ligou à mãe de uma criança a dizer que esta dormia lá em casa. Foi por isso que a PSP avançou na manhã seguinte e, na presença de duas magistradas, arrombou a porta do apartamento em Monte Abraão. De cuecas, o ex-bancário foi apanhado na cama com o menino, de 12 anos. As procuradoras do Ministério Público viram tudo, mas, em contacto telefónico com o coordenador João Guerra, do DIAP de Lisboa, deixaram o violador de várias crianças em liberdade.
18 de Julho de 2009 às 00:30
Magistradas vêem pedófilo em acção
Magistradas vêem pedófilo em acção FOTO: Ricardo Cabral

O trabalho da Divisão de Investigação Criminal da PSP, através da equipa da esquadra do Calvário, já durava há oito meses. E a prova estava feita para, pelo menos, oito casos de abusos sexuais de crianças por parte deste predador. Culminou com um flagrante delito, na manhã de quinta-feira, em que um menino vendido pelos pais, conforme o CM avançou ontem, estava na cama do pedófilo, de 61 anos. Mais: as duas magistradas do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa que presidiram à busca encontraram, além da criança deitada com o pedófilo, provas documentais sobre vários crimes sexuais ali praticados. Dentro de um apartamento imundo num primeiro andar em Monte Abraão, Sintra, com urina de gato espalhada pelo chão, as duas procuradoras-adjuntas de João Guerra viram várias fotografias tiradas pelo predador em actos sexuais com o menino de 12 anos.

Os agentes da PSP tocaram primeiro à porta, mas, ao perceber que era uma busca da polícia, o ex-bancário não abriu. Decidiram arrombar e depararam-se com o suspeito de cuecas, junto à criança deitada em cima de um colchão já preto de sujidade, sem lençóis e sem higiene. O predador foi conduzido à esquadra do Calvário, em Alcântara, e por ordem do Ministério Público saiu rapidamente com simples termo de identidade e residência, medida que lhe permite tudo, até voltar ao convívio com crianças.

PORMENORES

PSICÓLOGA NO LOCAL

Uma psicóloga acompanhou as buscas da PSP e do Ministério Público, entrando na casa para apoiar o menino de 12 anos. Lá dentro, além de um cenário degradante, encontraram brinquedos com que o pedófilo comprava a vítima.

DENÚNCIA DE CATALINA

O pedófilo foi investigado depois da denúncia de Catalina Pestana, em 2007, por mais abusos de crianças da Casa Pia. A ex-provedora sabia que o suspeito se encontrava com as vítimas perto do Colégio Maria Pia, em Chelas.

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