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Correio da Manhã

Portugal
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Magistrado preso por corrupção

Procurador Orlando Figueira suspeito de receber luvas.
Henrique Machado 23 de Fevereiro de 2016 às 10:26
Instalações de Lisboa da Polícia Judiciária
Instalações de Lisboa da Polícia Judiciária FOTO: Pedro Catarino

Orlando Figueira, procurador da República, foi esta manhã detido pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária sob suspeita de recebimento de subornos e branqueamento de capitais. Em causa, apurou o CM, estão luvas superiores a um milhão de euros para 'matar', sob o pretexto da "falta de provas", processos relacionados com altas figuras de Angola - arquivando diretamente, como fez, ou levando ao arquivamento posterior de cerca de uma dezena de inquéritos que corriam, até 2012, sob a alçada do magistrado no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

O advogado Paulo Blanco, defensor dos interesses do estado angolano em Portugal, também é suspeito de branqueamento de capitais no mesmo processo que foi detido hoje de manhã o ex-procurador do DCIAP Orlando Figueira. Paulo Blanco está a ser alvo de buscas da PJ.

As suspeitas de más práticas intencionais do procurador, sabe o CM, incidem sobre os mais mediáticos processos que investigou sobre Angola - nomeadamente aqueles que visavam, por eventuais crimes económicos, o atual vice-presidente daquele país, Manuel Vicente; Álvaro Sobrinho, ex-presidente do BES Angola; o general Bento Kangamba; ou a suposta burla, de cerca de 500 milhões de euros, para a compra da maioria do capital do BANIF em Portugal.

O procurador, recorde-se, goza atualmente de uma licença sem vencimento do Ministério Público depois da polémica saída do DCIAP, em 2012, diretamente para trabalhar em Angola - junto daqueles que investigara em Portugal, sem fazer qualquer período de nojo. No último ano, passou ele - que entretanto pregava contra os malefícios da corrupção em palestras em Angola - a estar sob investigação do próprio DCIAP, impulsionada e acompanhada de perto pelo diretor Amadeu Guerra.
Faltava provar - o que a PJ entretanto fez - as ligações suspeitas entre o magistrado e alguns daqueles que ele investigara; bem como apanhar o rasto do dinheiro, que, de forma faseada, Figueira foi recebendo por 'matar' determinados processos.

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