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Correio da Manhã

Portugal
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MAIORIA DAS ESCOLAS SEM PROFESSORES

Agrande maioria das escolas do Ensino Básico (EB) - 1.º, 2.º e 3.º ciclos - tem ainda professores por colocar, havendo "milhares de alunos sem aulas", segundo garantiram ontem ao CM representantes das duas federações sindicais de professores.
10 de Outubro de 2004 às 00:00
Escolas fechadas são minoria, mas em Lisboa todos os estabelecimentos têm falta de docentes
Escolas fechadas são minoria, mas em Lisboa todos os estabelecimentos têm falta de docentes FOTO: Natália Ferraz
O Ministério da Educação, através do assessor de imprensa, desmente a dimensão do problema, assegurando que "os professores foram todos colocados" e que as únicas dificuldades se prendem, com os "casos de baixa".
Por partes, Manuel Grilo, da Fenprof, referiu um estudo desta organização, para sugerir que "entre 7 500 a oito mil escolas, de um total de 10 mil, têm professores ainda por colocar". Admitindo que casos como o da EB1 de Lourel são "uma minoria", este professor garante que "quase todas as escolas do ensino básico têm alunos sem aulas".
Nesse sentido, Manuel Grilo desafia o Ministério da Educação (ME) a responder "porque não iniciou ainda a 2.ª fase de colocação [dos contratados]", lembrando que em anos anteriores "por esta altura essa fase já estava concluída, à excepção de casos pontuais". O ME é ainda acusado de "distribuição irracional" porque, refere, "se há vagas sem colocação, também há casos de várias colocações para uma só vaga" (ver apoio).
De igual modo, João Dias da Silva, da Federação Nacional de Educação (FNE), entende ser "inaceitável" que "haja turmas sem aulas", considerando que "nesta altura do ano, o normal é os conselhos executivos pedirem as substituições dos professores indisponíveis por baixa".
Defendendo que "basta ouvir os pais", este responsável acusa "o discurso de normalidade do ME" de "não corresponder à realidade", agravando a " insatisfação dos professores".
Por sua vez, em nome do ME, Francisco Mendia desdramatizou a situação, justificando as turmas sem aulas com "professores que estão de baixa", num caso descrito como "imprevisível". O porta-voz do ME garante ainda que já foi iniciada a "recolha das faltas" junto das escolas e que "o problema será resolvido a curto prazo", adiantando como previsão o prazo de "uma semana".
Desmentindo os números da Fenprof, Francisco Mendia lembra que a federação referiu "milhares de erros" nas pautas de colocação e depois só "apresentou 38" ao ME.
EB1 DE LOUREL INICIA AULAS ESTA SEMANA
A EB1 de Lourel deverá finalmente iniciar as aulas esta semana. A "boa notícia", como é descrita por Sandra Gomes, mãe de Rafael, inscrito no 1.º ano, foi avançada pela comissão instaladora do agrupamento escolar D. Carlos I, na passada sexta-feira à noite, em reunião com os encarregados de educação.
Com 117 alunos inscritos, distribuídos por seis turmas, esta escola tinha apenas dois professores colocados (um dos quais de baixa) dos seis necessários para o seu funcionamento. Assim, desde a abertura do ano lectivo, a 16 de Setembro passado, que a EB1 de Lourel tem funcionado exclusivamente em regime de ATL, sem actividade lectiva.
Perante o impasse e os sucessivos ofícios à Direcção Regional de Educação de Lisboa, todos sem resposta, os pais optaram quarta-feira passada por encerrar as portas e convocar uma conferência de imprensa. Coincidência ou não, o anúncio da colocação dos quatro professores em falta surgiu dois dias depois.
CASOS EXTREMOS
15 PARA UM
Na EB1 Alice Vieira, Amadora, foram colocados 15 educadores para uma vaga, segundo a Fenprof. Entre os professores colocados incluem-se contratados.
CADEADOS
Os encarregados de educação da EB1 de Marinhais fecharam sexta-feira a escola a cadeado, em protesto contra a falta de quatro professores em onze turmas da escola.
PROTESTO
Pais de alunos da escola de Vera Cruz, Aveiro, vão terça-feira à Secretaria de Estado da Educação exigir saber quando são colocados os professores em falta.
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