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Correio da Manhã

Portugal
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Mais casos de morte com Urgências mais distantes

Um aumento de dez quilómetros, em linha recta, da distância onde se encontra o doente até chegar a um Serviço de Urgência representa um acréscimo de um por cento na mortalidade, revela um estudo inglês. Estas conclusões levam os médicos portugueses a apelar ao ministro da Saúde, Correia de Campos, para a necessidade de uma reflexão, uma vez que está a ser implementada a reforma dos Serviços de Urgência, alvo de críticas da Ordem dos Médicos.
3 de Setembro de 2007 às 00:00
Um estudo inglês conclui que há mais risco de morte para o doente quando a Urgência está longe
Um estudo inglês conclui que há mais risco de morte para o doente quando a Urgência está longe FOTO: Pedro Catarino
Preocupada pelo facto da reestruturação dos serviços de emergência poderem implicar, para os doentes, um aumento do risco de vida, quando o percurso se torna mais longo até aos serviços hospitalares, a Associação Britânica de Medicina de Emergência estudou os casos de 10 315 pacientes em risco de vida (excluindo paragens cardio-respiratórias). Estes foram transportados por quatros serviços de ambulâncias do National Health Service (Serviço Nacional de Saúde britânico).
A conclusão do estudo científico, publicado no último número do ‘Emergency Medicine Journal’ revela que existe incremento do número de mortes (um por cento da taxa de mortalidade) quando a distância aumenta em dez quilómetros em linha recta. Perante este dado, o Sindicato Independente dos Médicos apela ao ministro a reflectir, uma vez que “que está empenhado na reestruturação das Urgências”.
Isabel Caixeiro, presidente da Secção Regional do Sul da Ordem dos Médicos, diz-se atenta à reforma para ver “se se fecham primeiro as Urgências antes de ser estruturado o sector e implementada uma solução de proximidade à população”. “Quanto aos Serviços de Atendimento Permanente (SAP), ainda não se percebeu a definição, umas vezes são urgências, outras não. Em Vila Real e Albufeira estão a funcionar como Urgências Básicas, com os mesmos profissionais de saúde.”
O CM tentou um comentário do Ministério da Saúde, sem sucesso.
TRÊS NÍVEIS DE SERVIÇOS DE URGÊNCIA
BÁSICAS
O relatório final da comissão que avaliou a reestruturação das Urgências defende que as Urgências Básicas devem ter uma acessibilidade, em condições normais, superior a 60 minutos em relação à Urgência Médico-Cirúrgica. Serve mais de 40 mil habitantes.
CIRÚRGICAS
A Urgência Médico-Cirúrgica deve localizar-se de modo a que, dentro das áreas de influência, os trajectos terrestres não excedam os 60 minutos entre o local de doença ou acidente e o hospital.
O serviço deve distar mais de 60 minutos de outro semelhante.
POLIVALENTE
O Serviço de Urgência Polivalente é o mais diferenciado de resposta à situação de urgência/emergência, localizando-se num hospital central ou centro hospitalar. A reforma dita que haja 58 Urgências hospitalares e 25 básicas nos centros de saúde.
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