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Correio da Manhã

Portugal
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MAIS CIVIS PARA A POLÍCIA

A entrada de civis para os serviços administrativos e auxiliares da PSP tem sido feita de forma “demasiado lenta” e deve ser acelerada, defendeu ontem o ministro da Administração Interna, Daniel Sanches, durante a sua primeira visita oficial à Direcção Nacional da Polícia.
9 de Novembro de 2004 às 00:11
Recusando a ideia de que faltam agentes, o ministro apresentou estatísticas europeias e deixou uma certeza: “O Estado não pode continuar a investir na formação de polícias, que depois são utilizados em tarefas não policiais.”
Neste momento, Portugal é o país europeu com menos civis a trabalhar na polícia, apresentando uma proporção abaixo dos dez por cento – enquanto que no Reino Unido, Eslovénia e Áustria, por exemplo, os civis representam 20 por cento do efectivo.
“A nova política de gestão de recursos humanos implicará a afectação dos agentes policiais a actividades de natureza exclusivamente policiais”, frisou Daniel Sanches. “Esta política já se iniciou, mas tem tido uma cadência demasiado lenta, havendo por isso que acelerá-la de modo definitivo.”
Socorrendo-se das estatísticas do Conselho da Europa, o governante lembrou que Portugal tem um dos maiores rácios policiais, contando com cerca de 400 a 500 polícias para cada cem mil habitantes. Ou seja, um polícia para cada 200 portugueses. Nos países nórdicos, lembrou, há um polícia para 500 habitantes.
A par da necessidade de tirar os polícias da secretária, Daniel Sanches aproveitou uma sala repleta de oficiais superiores da PSP para abordar os novos métodos de policiamento para as grandes cidades, baseados na experiência de cidades como Nova Iorque. “O actual estado de coisas exige que avancemos para além do conceito de proximidade.”
A nova teoria a ser implementada assenta em ter polícia nos “pontos quentes” às “horas quentes”, esquecendo o patrulhamento aleatório, que, segundo o ministro, “contribui para a dispersão dos recursos”.
Inseridas na nova forma de trabalhar das polícias, também as três forças especiais da PSP – Corpo de Intervenção, Corpo de Segurança Pessoal e Grupo de Operações Especiais – vão ser redimensionadas e a sua actuação repensada para rentabilizar recursos.
Para rentabilizar e reorganizar, o ministro admitiu ainda a intenção de atribuir a áreas não estratégias, como as messes e a reparação de viaturas, a empresas privadas e insistiu na negociação da dispensa de elementos afectados por deficiências físicas ou psíquicas.
SINDICATOS CRITICAM PROMESSAS
“Estamos fartos de promessas. Os problemas da Polícia precisam de respostas rápidas”, afirmou ontem ao CM António Ramos, do Sindicato dos Profissionais de Polícia, sobre atrasos nas promoções da PSP. Outro sindicato, a ASPP/PSP optou por não comparecer na cerimónia. Na Direcção Nacional de Polícia, o ministro reconheceu que “instituição atravessa um período conturbado”, que é “injusta” a situação dos que esperam promoções e prometeu resolver o processo. “A PSP não estava devidamente preparada para a realização de concursos curriculares”, referiu o ministro, frisando que, no seu entender, deve ser o “mérito o critério fundamental” nas promoções.
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