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Correio da Manhã

Portugal
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Mais de um terço das vítimas do incêndio de outubro de 2017 morreu em casa

Quase todas as vítimas (84%) morreram no próprio dia do acidente, tendo oito delas morrido no hospital.
Lusa 28 de Fevereiro de 2019 às 13:19
Incêndios
Fogo varreu três concelhos e fez 66 mortos. Inspeção aponta falhas ao comando, que não conseguiu prever o caminho das chamas e tomar as medidas necessárias
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Mais de um terço das vítimas mortais dos incêndios de 15 de outubro de 2017 morreu em casa, tendo muitas delas sido surpreendidas pelo fogo enquanto dormiam, revela o relatório do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais.

O Relatório "Análise dos Incêndios Florestais ocorridos a 15 de outubro de 2017" avança que 37% das pessoas morreram em casa e 67% enquanto tentavam fugir, num total de 51 vítimas mortais.

"Nos incêndios de 15 de outubro, ao contrário dos de Pedrógão Grande, houve uma percentagem significativa de pessoas que perderam a sua vida dentro de casa. Nalguns casos, foram surpreendidas pelo fogo enquanto dormiam, não tendo sido avisadas a tempo de que a sua casa e vida estavam em perigo", refere o documento elaborado pelo Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra, sob coordenação do Domingos Xavier Viegas, e esta quinta-feira tornado público pelo Ministério da Administração Interna (MAI).

O relatório encomendado pelo Governo sublinha que "várias casas arderam passado algum tempo, por vezes mais de duas horas, após a chegada do incêndio à povoação, ou à estrutura em causa".

Nesse sentido, chama a atenção para "os pontos fracos das casas que são em geral os telhados, os anexos, o material combustível junto das paredes exteriores ou mesmo casas próximas em ruínas".

Segundo o documento, das 19 pessoas que morreram em casa, 10 estariam a dormir quando o incêndio atingiu a sua habitação e as restantes nove estariam conscientes da presença do incêndio.

O relatório frisa também que "o facto de o incêndio ter atingido muitas regiões durante a noite, contribuiu para que houvesse menos pessoas a 'fazer-se à estrada' e "a serem surpreendidas pelo fogo quando já estavam recolhidas em casa e a dormir".

"Esta circunstância deu muito pouco tempo de reação para a maioria das pessoas e terá havido um número importante de vítimas que não tiveram sequer tempo para sair dos respetivos quartos. Ao permanecerem passivas perante o começo do incêndio na casa, com a entrada de fumos, ficaram incapacitadas para promover estratégias de sobrevivência", refere.

Apesar destas mortes dentro das habitações, a equipa do investigador Xavier Viegas concluiu que a permanência em casa constitui "a opção mais segura para não ser colhido pelo fogo", visto que "houve um número importante de pessoas que optaram por fugir de carro ou a pé e que acabaram por perder a vida, por vezes próximo de casa ou de outros locais mais seguros".

O documento dá também conta que "houve casos de pessoas que perderam a vida, ou sofreram ferimentos graves, para tentarem salvar os seus animais domésticos, de estimação ou de criação", devendo, por isso, "assegurar previamente que os animais dispõem de condições de segurança nos seus estábulos ou recintos de abrigo".

No documento, o Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais recomenda aos portugueses para que evitem permanecer ou passar -- mesmo que seja numa viatura -- junto ou por cima de encostas ou desfiladeiros, com fogo e vegetação por baixo, e para que não estejam sozinhos em caso de incêndio.

Segundo o relatório, 86% das mortes foram causadas diretamente pelo fumo ou pelo fogo, existindo ainda sete pessoas (14%) que morreram devido ao incêndio, mas indiretamente, em consequência de doença ou de acidente.

Quase todas as vítimas (84%) morreram no próprio dia do acidente, tendo oito delas morrido no hospital.
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