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Correio da Manhã

Portugal
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MAIS MORTES NÃO

Atravessava numa passadeira de peões na Rua Cristiano da Silva, em Marvila, Lisboa, quando foi colhido por um autocarro. Arrastado mais de uma dezena de metros, João Francisco Pereira, 72 anos, não sobreviveu ao atropelamento.
25 de Fevereiro de 2003 às 00:00
Uma semana depois, o morador no Bairro dos Lóios foi recordado num protesto que juntou, ontem, centenas de pessoas no local do acidente. Gritavam “mais mortes não” e “queremos lombas”.

Mário Pereira, filho da vítima mortal, lamentou a inexistência de sinalização rodoviária e, consequentemente, de segurança. “Os carros andam aqui a alta velocidade e cada vez há mais acidentes mortais”, considerou. “O sr. Santana Lopes não venha só cá buscar votos, venha também resolver os problemas”, apelou.

Também Carlos Potes, igualmente morador no Bairro dos Lóios e organizador do protesto, queixou-se ao CM da velocidade com que os condutores circulam naquelas ruas.

“É que há passadeiras mas falta tudo o resto, como sinais luminosos e lombas. E, assim, quando circulam a 70 ou 80 quilómetros, a velocidade é tal que não conseguem nem têm tempo de parar numa passadeira”, frisou.

“E eu sei do que falo, pois sou condutor há 16 anos e moro neste bairro há 22”, acrescentou.
Ciente da falta de segurança na freguesia a que preside, Marvila, António Pereira lamentou, sobretudo, a falta de resposta da Câmara. “Pedimos reuniões e nada. Mas sabemos que o presidente anda por aí quase todas as semanas. Se calhar, se visitasse a freguesia na companhia de quem a conhece, muitos dos problemas já estariam resolvidos”, adiantou.

É que para além da falta de sinalização rodoviária, que só existe nas entradas e saídas da freguesia, Marvila carece de muitas outras coisas, como ajardinamentos, mobiliário urbano e pequenas obras. Por exemplo, segundo o organizador do protesto, “há um esgoto a céu aberto por baixo da ponte, na Rua Luís Cristino da Silva”.

O presidente da Junta lembrou que no Bairro dos Lóios moram nove mil pessoas. E, para além dos residentes, há no bairro três escolas: uma do primeiro ciclo, um colégio privado, o Valssassina, e uma preparatória, a Damião de Góis.

“Juntas têm mais de dois mil alunos, que correm todos os dias riscos quer atravessem ou não nas passadeiras.”
O CM contactou a Câmara de Lisboa para saber se estão previstas algumas iniciativas que minimizem os problemas detectados, mas até à hora de fecho desta edição não obteve qualquer resposta.

FUGAS DE GÁS NO CONDADO

“O Bairro do Condado é um barril do pólvora”, alertou ontem ao CM o presidente da Junta de Freguesia de Marvila. Segundo António Pereira há fugas de gás nas condutas de alguns prédios, problema que só pode ser resolvido pela Câmara de Lisboa, pois é a proprietária dos edifícios. As fugas foram detectadas devido ao “consumo excesso de gás e há moradores que vivem há semanas sem gás. Vão tomar banho a casa de vizinhos”, referiu o presidente, acrescentando que já informou a autarquia por três vezes: “O primeiro ofício mandei-o no dia 9 de Dezembro, ao cuidado do presidente da Câmara, Santana Lopes e o último no passado dia 18.”

Mas até ao momento nada. “Parece que estão à espera de um acidente grave. Mas depois não venham dizer que não sabiam”, alegou.

Ao CM, a vereação da Acção Social adiantou que é por falta de pagamento que há inquilinos sem gás. Quanto a fugas, umas foram já resolvidas outras sê-lo-ão hoje.
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