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Correio da Manhã

Portugal
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Mais um gerente em fuga após desfalque

Mais um gerente do BPN fugiu do País, desta vez o da agência de Fafe. José Augusto Ribeiro, de 53 anos, está desaparecido há mais de três meses depois de ter feito um desfalque no banco. O valor desviado ainda não está apurado.

3 de Abril de 2009 às 00:30
José Ribeiro era gerente do BPN de Fafe e vivia numa casa da Urbanização Sol Poente, perto do centro cidade
José Ribeiro era gerente do BPN de Fafe e vivia numa casa da Urbanização Sol Poente, perto do centro cidade FOTO: Sónia Caldas

É o terceiro caso, em poucos meses, no BPN: José Pereira, gerente do balcão das Amoreiras (Lisboa), desviou 1,5 milhões e fugiu no fim de 2008; seguiu-se Artur Alho, em Gondomar, que desviou 2,5 milhões e que está em Espanha; e agora José Ribeiro, em Fafe.

Ao que o CM apurou, José Ribeiro está em Angola, onde viveu vários anos. Na rua onde vivia com a mulher e dois filhos nunca mais foi visto. A mulher, ao saber do desfalque, entrou em depressão. Mas o ex-gerente já falou várias vezes com a família, dando conta do seu paradeiro. "Não o vejo há meses. Os filhos e a esposa também aparecem muito pouco", contou uma vizinha.

Segundo clientes contaram ao CM, o esquema do bancário era simples: emprestava grandes quantias a juros elevados a empresários da zona com quem mantinha amizade, sem que o banco tivesse conhecimento. Na cobrança, o ex-gerente retirava parte do dinheiro para si. A burla foi descoberta quando várias empresas da região faliram e algumas não pagaram a João Ribeiro. Sem ter como repor o dinheiro, começou a desviar quantias de contas de clientes. "As pessoas depositavam dinheiro sem assinar papéis porque confiavam nele. Depois percebiam que nada tinham", disse outro cliente. 

ENGANOU MAIS DE UMA CENTENA DE CLIENTES

Vários são os clientes que perderam dinheiro com os esquemas do ex-gerente do BPN de Fafe. Pelo menos cem já se queixaram de irregularidades nas suas contas. "Ele tinha jeito para falar com as pessoas. Enganou muita gente. Sabia exactamente quem tinha dinheiro e a quem podia roubar", contou um cliente. Mário Marinho, empresário em Fafe, tem há vários meses cerca de um milhão de euros bloqueados – e durante os próximos oito anos – numa conta no BPN. "Ele falsificou a assinatura do Mário e depositou o dinheiro numa conta com fundo de risco, sem ele saber. É que o BPN pagava ao gerente uma comissão por cada depósito a longo prazo que conseguisse" , explicou ainda, sublinhando que José Ribeiro também passou vários cheques sem cobertura. 

AUDITORIAS REVELAM IRREGULARIDADES

"A nova administração do BPN introduziu uma série de procedimentos com o objectivo de tornar mais transparente o funcionamento do banco", afirmou ao CM uma fonte do banco. A mesma fonte adiantou que "entre essas medidas se encontra uma política de rotação de gerentes e processos de auditoria internos. Estes casos (Fafe e Gondomar) são fruto da introdução destas medidas de controlo interno". O BNP confirmou que Artur Alho fez um desfalque de 2,5 milhões de euros na agência de Gondomar, mas não apresentou queixa contra o gerente. A administração no banco assumiu o desvio do dinheiro nas contas de seis clientes.

Artur Alho encenou o suicídio antes de ser oficializada a sua transferência para outro balcão, quando uma auditoria interna detectou que o gerente em Gondomar era responsável pelo desfalque de 2,5 milhões de euros.

PORMENORES

SALÁRIO

José ganhava cerca de 4500 euros no banco, sendo que 2000 euros eram comissões que o BPN pagava por cada investimento a prazo que conseguisse.

EMPRESÁRIOS

Os clientes de José eram sobretudo empresários ligados aos ramos da indústria e da construção civil.

100 MIL EUROS A CASAL

O ex-gerente desviou de uma só vez cem mil euros a um casal que se estava a divorciar.

 

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