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Mais um remédio perigoso

Mais um anti-inflamatório não-esteróide está a provocar efeitos secundários graves nos doentes, como enfartes cardíacos e acidentes vasculares cerebrais. Desta vez é o naproxeno, à venda em Portugal, alerta a FDA – Food and Drug Administration –, organismo americano que regula o medicamento.

22 de dezembro de 2004 às 00:00

Este aviso surge na sequência de um estudo do Instituto Nacional de Saúde (INS) americano que avaliou a acção do naproxeno em doentes com risco de desenvolver a doença de Alzheimer. O Celebrex, anti-inflamatório cujo ensaio clínico foi entretanto suspenso no nosso país, também foi usado no estudo, mas não causou problemas, ao contrário da investigação anunciada a semana passada pelo Instituto Nacional do Cancro americano (indicava que o Celebrex provocava riscos maiores de enfarte do coração ou trombose). Dados que, para já, indicam apenas que é necessário aprofundar as investigações.

O estudo do INS envolvia 2500 doentes, com mais de 70 anos, que tomavam naproxeno e que tinham antecedentes familiares de Alzheimer. Durava há três anos, mas foi de imediato interrompido. Estes doentes tiveram mais 50 por cento de incidência de problemas cardiovasculares (enfartes e tromboses) em relação aos doentes que tomaram apenas um placebo (produto sem efeito medicamentoso).

O CM pediu um esclarecimento ao Infarmed, autoridade que regula o medicamento no País, sobre este assunto, concretamente sobre a situação em Portugal. O instituto adianta que o estudo “foi realizado em doentes idosos e que se refere aos medicamentos não sujeitos a receita médica”. Diz ainda que, no nosso país, os medicamentos contendo naproxeno são na maioria sujeitos a receita médica e à venda exclusiva nas farmácias, o que não sucede nos EUA.

CASOS NACIONAIS

O Infarmed recebeu a notificação de 14 casos de reacções adversas, de Janeiro de 1992 até agora. Mas recusa explicar que tipo de efeitos secundários foram provocados pelo naproxeno, permitindo que se mantenha a dúvida: terá havido casos de enfarte ou acidente vascular cerebral?

Para já, o Infarmed vai analisar a informação do estudo, que já pediu ao INS.

MARCAS

Em Portugal, o naproxeno é vendido sob os nomes comerciais de Aleve, Naprosyn, Reuxen e Artrixen e é sujeito a receita médica, ao contrário dos EUA, de venda livre desde 1994.

CONSELHOS

A FDA aconselha os doentes a seguirem as indicações da bula, a não excederem a dose recomendada (220 miligramas, duas vezes por dia) e a não tomar por mais de dez dias seguidos o naproxeno.

ALTERNATIVAS

Terapias alternativas são os conselhos da FDA para os médicos que estão a tratar doentes com artrite com o anti-inflamatório não-esteróide.

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