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Correio da Manhã

Portugal
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Mal-estar na PJ

A tese de que a investigação do caso Maddie não valorizou alguns indícios e que o processo estaria desorganizado está a causar mal-estar em alguns sectores da Polícia Judiciária. Esta ideia tem vindo a ser passada nos meios judiciais e já teve eco em algumas notícias, que a vinculam à equipa de Paulo Rebelo, o novo responsável pelo Departamento de Investigação Criminal de Portimão.
21 de Outubro de 2007 às 00:00
Kate e Gerry McCann não escrevem no seu blogue desde o dia 16. Diziam que a sua vida 'regressava ao normal'
Kate e Gerry McCann não escrevem no seu blogue desde o dia 16. Diziam que a sua vida 'regressava ao normal' FOTO: Reuters
Nos últimos dias, à medida que a nova equipa de Rebelo tem vindo a tomar conhecimento do inquérito, começou a espalhar-se a tese de que a investigação é fraca e com escassos indícios. Ontem, o ‘Expresso’ citou fontes da PJ que disseram ter encontrado “material importante espalhado anarquicamente que não foi tido nem achado para a investigação” e que a nova equipa de Portimão “teve uma trabalheira medonha” para organizar os autos. Pior: que a nova equipa terá considerado haver “muita informação importante desprezada na investigação”.
Perante estas notícias, acentuou--se ainda mais o silêncio à volta da investigação. Nenhum dos anteriores responsáveis pelo caso – Gonçalo Amaral, Guilhermino Encarnação e Luís Neves – comenta as referidas notícias. Todavia, várias fontes da polícia adiantaram ao CM que as notícias em causa estão a causar “perplexidade” e que não é possível atribuí-las aos investigadores de Lisboa que estão a analisar o caso. Paulo Rebelo e a equipa por si escolhida são apontados como pessoas muito experientes, habituadas a lidar com a pressão e que dificilmente cairiam na ingenuidade de começar a fazer juízos de valor precipitados.
A investigação continua entregue ao mesmo grupo que já nela trabalhava – com a excepção óbvia de Gonçalo Amaral – e os quatro polícias que viajaram de Lisboa continuam a ler o processo. É um dado adquirido que a orientação da investigação daqui para a frente continuará a ser a de um caso de homicídio, tal como considerava o trio constituído por Gonçalo Amaral, Guilhermino Encarnação e Luís Neves.
"CASAL ESTÁ INOCENTE"
O jornal inglês ‘News of the World’ publica hoje um artigo escrito pelo antigo chefe da polícia britânica, Lord Stevens, onde este diz não ter encontrado qualquer possibilidade de culpa do casal McCann em tudo o que tem visto no desenrolar das investigações. O homem que liderou as investigações da morte da princesa Diana escreve: “Fui detective durante 30 anos e nunca vi uma caça às bruxas como esta, nem uma investigação baseada em tão fracas provas.” “Não existe quaisquer possibilidades dos pais de Madeleine serem acusados do seu homicídio neste país [Inglaterra]”, afirma Lord Stevens.
AVÓ GUARDA ÚLTIMA PRENDA
A avó de Maddie mostrou ao jornal britânico ‘The Sun’ a última prenda que a neta lhe ofereceu – um prato em forma de coração, pintado com as marcas das mãos da menina e onde se lê: “Eu amo-os, avó e avô. Da Madeleine 2007”.
“Isto é tão precioso para mim que penso guardá-lo num cofre”, disse Susan Healy, de 61 anos. Acrescentou que a neta fez o prato no infantário e lhe telefonou a dizer o que tinha feito para ela. No entanto, a menina desapareceu antes de ter oferecido a prenda.
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