Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
4

MAL ESTAR NO COMBATE À TOXICODEPENDÊNCIA

Os técnicos ligados ao tratamento da toxicodependência estão em “polvorosa” com aquilo que consideram ser a indefinição estratégica da política nesta área, segundo apurou o CM junto de várias fontes deste sector.
10 de Julho de 2003 às 00:53
Como principal alvo destas críticas está a vogal do Conselho de Administração do Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT) para o tratamento, Cecília Escarameia, a quem, segundo as mesmas fontes, “não é reconhecida competência ou credibilidade” para definir a orientação dos serviços. “Revela desconhecimento dos ‘dossiers’ e depois recua nas decisões”, lamentou ao CM o director de um Centro de Atendimento a Toxicodependentes (CAT) da área de Lisboa, criticando ainda a “falta de diálogo”. Como exemplo destes recuos e indecisões surge a “dança de nomes”para a direcção dos CAT.
REFORMULAÇÃO DO PROJECTO
As indecisões não se ficam, porém, pela área de Lisboa. Nomeadamente, o projecto de quatro postos móveis (carrinhas) de atendimento da região do Algarve, co-financiado (em 60 por cento) pela União Europeia, terá sido alvo de uma tentativa de reformulação, de modo a distribuir as carrinhas pelo resto do País (conforme noticiou o Expresso). O que só não terá avançado por imposição da UE, sob pena de o financiamento ter de ser devolvido.
Em última análise, os técnicos contactados, independentemente das respectivas opções políticas, manifestam o receio de que a actual filosofia, “baseada em anos de experiência”, venha a ser profundamente alterada. “A prova de que está correcta são os resultados ao nível da sida (toxicodependentes deixaram de ser principal grupo de risco) e o facto de ser seguida pela maioria dos países da União Europeia”, sublinham.
NEGRÃO RESPONDE
Por sua vez, Fernando Negrão, presidente do IDT, considera as críticas injustas na medida em.que, defende, “a estratégia seguida ao nível do tratamento é a mesma do ex-Serviço de Prevenção e Tratamento da Toxicodependência (SPTT)”, lembrando que ” a Estratégia Nacional de Luta contra a Droga está no programa de Governo, até 2004, pelo que não há motivo para receios”, mesmo ao nível dos programas de substituição.
Já sobre o projecto algarvio dos postos móveis, o presidente do IDT defendeu nunca ter sido pensada a sua reformulação, aproveitando para criticar os seus antecessores por não terem candidatado projectos semelhantes em todas as regiões.
DIRIGENTE FAZ 400 QUILÓMETROS POR DIA
Alvo das críticas por alegado desconhecimento da realidade e “falta de diálogo” com os responsáveis técnicos, a vogal do Conselho de Administração do IDT para a área do tratamento, Cecília Escarameia é também acusada de esbanjar dinheiros públicos em tempo de “apertar o cinto”. Em causa está o facto de a médica coimbrã ter aceite o cargo em Lisboa sem abdicar de continuar a residir em Coimbra. Desde que tomou posse, em Novembro de 2002, e até há cerca de um mês, Cecília Escarameia fazia-se transportar por um motorista da capital, que percorria o caminho Lisboa-Coimbra e volta, duas vezes por dia, num total de 800 quilómetros. Contas feitas a 30 cêntimos por quilómetro (tabela oficial) dá um mínimo de 240 euros por dia, mais portagens, gasolina e desgaste de viaturas. Actualmente, Cecília Escarameia faz-se transportar por um motorista da delegação regional do Centro. O CM tentou ouvir a médica, mas não se revelou possível por esta se encontrar “doente”. Em seu nome, Fernando Negrão, presidente do IDT, considerou a crítica, “uma maldade”, considerando antes que a médica “faz o sacrifício” de fazer duas viagens por dia.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)