Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
9

Manifesto defende eucalipto e alerta contra “diabolização”

Académicos, empresários e autarquias de norte a sul do País contra ataque injustificado ao eucalipto.
Luís Oliveira 15 de Novembro de 2018 às 08:47
Signatários do manifesto defendem que a produção de eucalipto contribui para o não abandono da floresta portuguesa
Incêndios consomem mais mato
Produção ajuda economia
Signatários do manifesto defendem que a produção de eucalipto contribui para o não abandono da floresta portuguesa
Incêndios consomem mais mato
Produção ajuda economia
Signatários do manifesto defendem que a produção de eucalipto contribui para o não abandono da floresta portuguesa
Incêndios consomem mais mato
Produção ajuda economia
Mais de 100 entidades e personalidades de vários setores da sociedade, entre académicos, empresários, autarcas e ex-governantes, assinaram um manifesto por uma floresta não discriminada no qual defendem a importância da produção do eucalipto. Os signatários criticam a "diabolização" que está a ser feita contra o eucalipto, salientam a sua importância para a economia nacional bem como para a subsistência de milhares de pequenos produtores.

"Manifesto por uma floresta não discriminada" é o título do documento em que é feita a defesa do "combate às verdadeiras causas do drama dos incêndios florestais". "Os signatários têm vindo a assistir, com grande preocupação, à multiplicação em diferentes meios de alusões pouco rigorosas, ou mesmo manifestamente incorretas, sobre a gestão da floresta e as causas dos incêndios em Portugal", lê-se no documento, acrescentando: "As verdadeiras causas dos incêndios estão essencialmente na excessiva carga de biomassa no terreno, em resultado do reduzidíssimo nível de gestão da floresta e do excesso de matos e de incultos no território português".

Entre as 110 personalidades que assinam o manifesto, estão antigos ministros como António Serrano, Bagão Félix, Mira Amaral e Daniel Bessa, bem como o ex-secretário-geral da UGT, João Proença. Estão também empresas como as papeleiras Navigator Company e a Altri, que têm no eucalipto a principal matéria-prima, além de associações de produtores florestais. Assinam ainda o manifesto 36 académicos de várias universidades, bem como as autarquias de Albergaria-a-Velha, Aveiro, Estarreja, Figueira da Foz, Mortágua, Proença-a-Nova, Setúbal, Vila Velha de Ródão e Vasco Estrela, autarca de Mação.

Substituir espécie traria resultados modestos
Mais de 80% da área ardida em Portugal não é de eucalipto, segundo dados do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas. "A mera substituição do eucalipto, e o mesmo seria válido para o pinheiro bravo, por espécies tidas como mais resistentes à propagação do fogo, como o sobreiro, medronheiro e carvalhos, traria resultados modestos de diminuição da área ardida", argumentam.

Fonte de rendimento para muitas famílias
Os signatários dizem que "diabolizando-se a única espécie florestal com retorno para o produtor num prazo de 10 a 15 anos, contribui-se para a redução do rendimento das centenas de milhar de pequenos proprietários e ameaça pôr em risco fileiras silvo-industriais". Em causa também estarão 2% do PIB e 9% das exportações do País, bem como 100 empregos diretos.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)