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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Manuel Pinho dá prejuízo de 1,2 mil milhões de euros ao Estado

Ministério Público suspeita de que Manuel Pinho causou um prejuízo milionário ao Estado devido a alegados benefícios ilícitos.

13 de setembro de 2019 às 01:30

O Ministério Público suspeita de que Manuel Pinho terá prejudicado o Estado em 1,2 mil milhões de euros, devido a alegados benefícios ilícitos concedidos à EDP quando era ministro da Economia do Governo de José Sócrates. Para os procuradores do caso EDP, estes alegados benefícios acabaram por ser um prejuízo para os consumidores.

O despacho de indiciação de Pinho, que o seu advogado já confirmou terem recebido na última terça-feira, indica como os procuradores do caso EDP quantificaram o alegado benefício ilícito atribuído à EDP: 852 milhões de euros relativos ao valor da extensão da concessão do Domínio Público Hídrico que a EDP não pagou por continuar a explorar 27 barragens, por 25 anos; 339,5 milhões de euros relacionados com a sobrevalorização do valor inicial dos CMEC - Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual; e 55 milhões de euros relativos ao valor de Taxa de Recursos Hídricos.

Neste caso, segundo referiu esta quinta-feira o Observador, na altura, os peritos defenderam que essa taxa devia ter sido paga pela EDP, ao contrário da decisão do então ministro da Economia que a considerou regularizada no âmbito do procedimento do valor da extensão da concessão da exploração das barragens.

Para os procuradores do caso EDP, Pinho e Ricardo Salgado terão feito um acordo para que António Mexia fosse nomeado para presidente da EDP. E recordam que Pinho e Mexia foram funcionários do BES, então liderado por Salgado. A 5 de janeiro de 2006, Pinho anunciou que Mexia seria o novo presidente da EDP.

Nessa altura, o BES era um investidor relevante da EDP. Com base nestes dados, o Ministério Público suspeita que Pinho terá recebido pagamentos elevados do Grupo Espírito Santo (GES) quando foi ministro.

Ex-assessor recebeu 153 mil euros sem trabalhar

João Conceição, ex-assessor de Manuel Pinho, está a marcar o caso EDP: ganhou 153 mil euros como diretor do BCP entre setembro de 2008 e maio de 2009, mas o banco não encontrou provas do seu trabalho.

Nesse período, foi assessor no gabinete de Pinho. Paulo Macedo, então administrador do BCP, é suspeito de ter sido conivente com essa situação.

Ex-ministro recebeu luvas milionárias

Pinho terá recebido alegadas luvas de 4,5 milhões de euros, entre 2005 e 2014. Deste valor, 3,9 milhões terão sido pagos pelo GES. Os restantes 650 mil euros dizem respeito a salários na Universidade de Colômbia.

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