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Correio da Manhã

Portugal
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MARIANA JÁ ENGORDOU TREZENTOS GRAMAS

A bebé ‘Mariana’, abandonada – presumivelmente pela mãe – na passada sexta-feira à tarde no parque de estacionamento subterrâneo do Fórum Algarve de Faro, continua internada no Hospital Distrital de Faro (HDF), numa altura em que a PJ ainda não descobriu a progenitora.
5 de Maio de 2004 às 00:00
A menina já engordou 300 gramas – tem agora 2,800 quilos – e é o encanto de médicos, enfermeiros e auxiliares, que tentam compensar a falta de familiares directos.
O seu estado continua óptimo e, segundo fonte hospitalar, a bebé saiu ontem dos cuidados intensivos do berçário, para onde havia sido transportada pela PSP logo após o abandono. Está agora no serviço de obstetrícia, gozando de boa saúde, alheia ao drama que o seu nascimento causou à mãe.
Só ontem os serviços sociais do HDF enviaram o processo do abandono para as diversas entidades que agora irão apreciar o caso e decidir o futuro da pequena ‘Mariana’, agora com, julga-se, doze dias de vida.
Fonte do Tribunal de Família e Menores de Faro disse ao CM que “o processo só ontem chegou aos serviços desta instituição”.
“O juiz irá apreciar as incidências deste caso e despachar em conformidade”, afirmou uma funcionária.
Tudo indica que o Refúgio Aboim Ascensão, em Faro, será, já nos próximos dias, o lar mais que provável da bebé ‘Mariana’.
JUDICIÁRIA INVESTIGA
A PJ de Faro continua, entretanto, investigações com vista à descoberta dos familiares da bebé. Ao contrário do que se poderia pensar, pelas pistas deixadas pela mãe na cadeirinha de bebé que depositou num carrinho de compras do hipermercado, não está a ser fácil os investigadores identificarem a presumível criminosa.
Já foi examinado o bilhete com o apelo lancinante, no qual a mãe pedia ajuda e informava estar com uma depressão, pelo que, dizia o texto do bilhete, “comigo a minha filha vai morrer de fome ou de frio”, justificava a presumível mãe da bebé.
PISTAS SUSPEITAS
No entanto, não há a certeza, para já, se o nome de Mariana Alves, que a mãe pedia que fosse posto à filha, em homenagem a uma avó, é real ou uma pista deixada para iludir e atrapalhar as investigações.
Esses dados estão a ser investigados e, embora a PJ não adiante pormenores, a detenção da mãe de ‘Mariana’ poderá estar para breve.
Isto porque as gravações das 40 câmaras instaladas no estacionamento subterrâneo do Fórum Algarve, que a PSP entregou à PJ na segunda-feira, podem ser determinantes para localizar quem abandonou à bebé com apenas oito dias de vida.
A mola branca encontrada na bebé, habitualmente usada pela maternidade do Hospital do Barlavento Algarvio, em Portimão, para amarrar o cordão umbilical (o que levou a pensar que a bebé tivesse ali nascido), não parece ser daquela unidade hospitalar.
Segundo o CM apurou, apesar do Hospital de Faro apenas usar molas azuis e rosa, há outras unidades hospitalares que optam pela cor branca. Assim, a bebé pode nem ter nascido na região. Aliás, a PSP, no fim-de-semana, averiguou os nascimentos efectuados em Portimão e não chegou a nenhuma conclusão.
UM CASO TOCANTE
SOLIDÁRIA
O CM (através do seu site) foi contactado por uma emigrante em Inglaterra, oferecendo-se para adoptar a bebé ‘Mariana’. Maria Teresa, de 40 anos, mostrou-se tocada por este abandono e apenas quer “ver a menor bem”.
REFÚGIO
O Refúgio Aboim Ascensão deverá receber a bebé ‘Mariana’. Albergando 96 crianças vítimas de abandono ou maus tratos, a instituição ainda tem um berço disponível para mais um caso dramático.
UM BOM COLO
A mãe da ‘Mariana’ ainda poderá recuperar a sua filha. Aliás, os técnicos, nestes casos, fazem todos os esforços para, se não houver impedimento legal, dar o colo da mãe ou do pai a estes bebés.
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