Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal

Perito de balística admite que a arma que matou Luís Grilo foi manipulada e alvo de um ataque químico

Rosa Grilo pede para falar e acusa investigador da PJ de só usar as conclusões que "lhe dão jeito".
Tânia Laranjo e Rita F. Batista 22 de Outubro de 2019 às 10:04
Perito de balística admite que a arma que matou Luís Grilo foi manipulada
Rosa Grilo na sétima sessão do julgamento
Rosa Grilo na sétima sessão do julgamento
Perito de balística admite que a arma que matou Luís Grilo foi manipulada
Rosa Grilo na sétima sessão do julgamento
Rosa Grilo na sétima sessão do julgamento
Perito de balística admite que a arma que matou Luís Grilo foi manipulada
Rosa Grilo na sétima sessão do julgamento
Rosa Grilo na sétima sessão do julgamento
Rosa Grilo e o amante voltaram esta terça-feira ao tribunal de Loures para mais uma sessão de julgamento - a sétima - pela morte do triatleta Luís Grilo. À entrada para o tribunal, cerca das 9h30, ficou marcada por alguma tensão entre o marido de Júlia Grilo, com quem está o filho de Rosa e do triatleta, e pelo pai da viúva. 

Em causa estão as visitas do jovem ao estabelecimento prisional onde se encontra Rosa Grilo que não têm sido cumpridas como combinado entre a família. 


Da parte da manhã foram inquiridos dois peritos do Laboratório de Polícia Científica da PJ, que estiveram envolvidos nas buscas e na recolha dos vestígios de sangue da casa da arguida Rosa Grilo. Da parte da tarde foram ouvidos os dois psicólogos e o psiquiatra que acompanham o filho de Rosa e Luís Grilo. 

Durante a audiência, o perito de balística, que analisou a arma alegadamente usada para assassinar Luís Grilo, conclui que a arma foi alvo de um ataque químico, possivelmente foi colocada em lixívia muito forte. Acrescenta ainda que a mesma foi 'mexida' na parte interna do cano - provavelmente com recurso a uma chave de fendas ou uma ferramenta - com o objetivo de impossibilitar a associação da bala à respetiva arma. 

Ainda assim, o perito refere que "há compatibilidade e indícios muito fortes de que aquele projétil tenha sido disparado daquela arma". 

A defesa de António Joaquim e o procurador do Ministério Público questionaram algumas das conclusões retiradas pela investigação da Polícia Judiciária, com base no cruzamento dos dados de tráfego dos telemóveis do arguido e de Rosa Grilo.

Também foi posto em causa "o padrão" determinado pela Polícia Judiciária (PJ), baseando-se nas comunicações e nos contactos (dados móveis e chamadas) realizados entre os arguidos.

Perante as explicações do coordenador da PJ, Ricardo Serrano Vieira e, posteriormente, o procurador do Ministério Público (MP) questionaram este responsável pela investigação sobre as conclusões "padrão" retiradas das comunicações (por dia e hora em que foram feitas) com base na análise das listagens da operadora de telemóvel (chamadas e dados) e no registo dos contactos efetuados entre os arguidos.

Uma das situações prende-se com o facto de, nos últimos sete fins de semana antes do crime, ocorrido em 15 de julho de 2018 (domingo), os arguidos quase nunca comunicaram, o que aconteceu no fim de semana em que ocorreu o crime (14 e 15 de julho).

À pergunta do MP sobre como é que a PJ chegou à conclusão de que os filhos de António Joaquim não ficaram nesse fim de semana com o arguido, o coordenador explicou que foi apenas com base nas declarações do arguido quando foi interrogado, apesar de a PJ sustentar na sua investigação que os menores não podiam ter estado com o pai pois o telemóvel de um dos filhos ativou uma antena que não é ativada a partir da casa de António Joaquim.

Também no que diz respeito à ativação das antenas, o advogado Ricardo Serrano Vieira pôs em causa as conclusões da investigação da PJ, que determinou que o telemóvel do arguido ativava uma antena, quando a operadora de rede, a pedido da defesa do arguido, informou que naquela zona de Alverca do Ribatejo é possível ativar uma segunda antena de telemóvel.

À medida que o coordenador da investigação da PJ ia respondendo às perguntas, os arguidos abanavam a cabeça e, num desses momentos, a presidente do coletivo de juízes, Ana Clara Baptista, chamou a atenção de Rosa Grilo, que pediu para falar.

A arguida afirmou que "são interessantes as convicções" do coordenador da investigação pois só usa as conclusões "que lhes dão jeito", acrescentando que era normal falar com António Joaquim durante a semana e que ao fim de semana "só falavam às vezes".

O coordenador da investigação da PJ contou que ambos os arguidos apagaram todas as comunicações entre eles, destacando "três momentos nevrálgicos" em que há uma "troca intensa" de mensagens entre os arguidos, o que nunca aconteceu até esse momento: antes de o crime acontecer, na manhã seguinte ao crime (16 de julho, segunda-feira) e entre as 17h48 e as 18h06 desse dia.

O coordenador foi ainda questionado se a investigação fez exames periciais ao coldre da arma alegadamente utilizada para matar Luís Grilo e registada em nome de António Joaquim.

"Com o devido respeito, quem quer cometer um crime não leva um coldre", afirmou o coordenador, tendo o advogado do arguido respondido: "Com o devido respeito, quem vai cometer um crime não usa uma arma que está registada", disse Ricardo Serrano Vieira.

Sessão anterior marcada por testemunhas que desmentiram versão de Rosa
Na sessão anterior, a viúva viu-se desmentida pelas testemunhas que foram ouvidas pelos jurados e juízes. Ficou ainda em cima da mesa o facto de, de acordo com um dos inspetores-chefe que conduziram a investigação, Rosa Grilo terá contaminado provas para enganar a Polícia Judiciária. 

Na passada terça-feira ficou a saber-se mais um pormenor da investigação mediante o testemunho do inspetor-chefe. A PJ pediu à viúva do triatleta dois objetos pessoais do marido para a comparação do ADN - numa altura em que o corpo já tinha sido encontrado. "A escova de dentes e a gilete de Luís Miguel Grilo que Rosa entregou para a comparação de ADN continham mais vestígios de Rosa", afirmou o investigador. Também o comportamento da viúva terá levantado suspeitas. 

Outros dos testemunhos ouvidos foi o dos funcionários da empresa de informática do triatleta que garantiram que Luís Miguel Grilo não costumava levantar encomendas e não era sequer habitual mostrar-se nervoso nessa situação, ao contrário do que alega Rosa para defender a tese de que o marido tinha negócios com angolanos.

Rosa sabia ainda, de acordo com outra das testemunhas arroladas pelo Ministério Público, dos seis seguros de vida do marido.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)