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Correio da Manhã

Portugal
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MARIDO DE MORTA POR RODA VAI LEVAR CASO A TRIBUNAL

“Se o autocarro é inspeccionado, como é que as rodas saltam?” A pergunta não sai da cabeça de José Maia, marido de Gisela Soares, a mulher de 34 anos anteontem de manhã atingida pela roda de um autocarro que lhe causou a morte. O caso vai agora avançar para tribunal, com a família a lamentar o futuro dos dois filhos da vítima: um bebé de seis meses e uma menina de seis anos.
15 de Maio de 2004 às 00:00
“Ela vinha a dormir e não se apercebeu da morte”, contou José Maia, 33 anos, ainda incrédulo com a volta que a sua vida vai levar. E tarefa ainda mais difícil vai ser contar à filha Filipa, de seis anos, que a mãe morreu. “Ela andava sempre atrás dela”, desabafou o pai.
Leandro, o bebé de seis meses, está agora com a ‘ama’, enquanto Filipa passou a noite com uma auxiliar do jardim de infância onde fica durante o dia. “Nem sei como é que ela dormiu fora de casa, ela nunca quer estar longe de nós”, afirmou.
Também revoltado com a situação está o irmão de Gisela Soares. Miguel Ferreira adiantou ao nosso jornal que, entretanto, “soube mais pormenores do acidente” que vai usar em sua defesa. Quais, não quis dizer, certo é que “a empresa [Rodoviária de Lisboa] vai ter de justificar aquilo que se passou”.
Contactado pelo CM, o administrador da Rodoviária de Lisboa, António Côrrea de Sampaio, diz “não haver nenhuma explicação técnica para o sucedido”.
O administrador informou ainda que a seguradora, cujo nome não pode revelar, já foi contactada. Côrrea de Sampaio, que avaliou o acidente como “uma situação anómala”, disse que se desaparafusou uma porca “do eixo onde existiam duas jantes e dois pneus”. O porquê só será conhecido depois de concluído o inquérito.
Gisela Soares, residente em Vialonga, era encarregada de refeitórios e entrou no autocarro das 07h25, como fazia todos os dias para ir trabalhar. O funeral realiza-se hoje na Igreja de Vialonga.
OUTROS PORMENORES
ACIDENTE
O autocarro que circulava na A8, sentido Vialonga/Campo Grande, foi atingido anteontem de manhã por uma roda que saltou de um outro autocarro que seguia no sentido oposto. O acidente deu-se pouco depois das 07h30, na zona do Infantado, Loures, e provocou o pânico.
FERIDOS
Para além da morte de Gisela, nove pessoas ficaram feridas. Uma das utentes feridas não foi atingida pela roda porque esta embateu no braço do banco, fazendo ricochete e acabando por atingir a vítima mortal. Os feridos foram assistidos no hospital de Santa Maria.
EXPLICAÇÕES
Fonte da Rodoviária de Lisboa, que não se quis identificar, disse que as rodas podem ter-se soltado “porque as porcas estavam mal enroscadas ou porque o material estava desgasto”. Contudo, só a conclusão do inquérito poderá apurar a verdade dos factos.
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