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Correio da Manhã

Portugal
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Mariluz encontrada morta

Um golpe profundo na cabeça e feridas nas unhas. Estas são duas das marcas que o corpo de Mariluz, de cinco anos, apresentava quando foi encontrado, ao final da tarde de ontem, em Huelva.
8 de Março de 2008 às 00:30
O cadáver estava a flutuar, numa zona de lodo, na foz do rio Odiel, em Huelva, vestido com a roupa com que tinha desaparecido: um casaco cor-de-rosa com estrelas, uma saia de ganga e botas brancas.
Quem a encontrou foi um funcionário de uma refinaria da zona, que passava no local. A área já tinha sido batida pelas buscas, o que levou Lopes Garzón, delegado do governo da Andaluzia, a admitir que “se não foi encontrada é porque o corpo lá foi colocado depois”. Mas o cadáver estava em “avançado estado de decomposição”, acrescentou. Um indicador de que já teria sido abandonado no local há algum tempo,
“O pai [Juan Jose Cortez] viu o corpo e confirmou que é Mariluz”, disse à Comunicação Social Jose Sabedra, amigo da família. Foi também ele que confirmou, com base na descrição de Juan Cortez, o ferimento “grande” na cabeça e as marcas nas unhas. “Ele está muito abalado, estão todos muitos abalados”, referiu Sabedra.
Depois de encontrado, às 17h30 (16h30 em Portugal), o corpo foi inicialmente transportado para o Molhe de Levante. Depois foi levado para o ‘Tanatório del Atlantico’ (uma das morgues de Huelva), onde hoje será sujeito a autópsia (ver caixa). À porta da morgue, ao longo da tarde, largas centenas de pessoas foram-se juntando, numa manifestação de apoio à família.
Mariluz Cortez tinha desaparecido na tarde de 13 de Janeiro do bairro El Torrejón, em Huelva. A menina tinha ido à rua, a um quiosque a cerca de 100 metros de casa, para comprar um pacote de pipocas.
Uma vizinha garante que a viu na rua por detrás do prédio onde morava, a seguir duas crianças mais velhas. Foi o último testemunho de alguém que via a menina viva.
DECRETADOS TRÊS DIAS DE LUTO
Pedro Rodriguez, alcaide de Huelva, anunciou ontem que o governo regional decretou três dias de luto por Mariluz. Hoje, ao meio- -dia, também em memória da menina, de cinco anos, encontrada morta, serão respeitados cinco minutos de silêncio, em frente ao Ayuntamiento (câmara municipal) de Huelva, onde a bandeira estará hasteada a meia-haste. Ontem já tinham chegado à família centenas de mensagens de apoio.
Enquanto se realizam as cerimónias de homenagem à memória da menina, está previsto que ainda hoje seja realizada a autópsia ao corpo. Procedimento que poderá ajudar a perceber o que aconteceu com Mariluz. Para dissipar qualquer dúvida de que o cadáver encontrado é mesmo o da criança desaparecida a 13 de Janeiro, foi também decidido fazer análises ao ADN do corpo. Ontem, no entanto, já havia a confirmação oficial de que, de facto, se trata de Mariluz. Por marcar estavam ainda o dia e a hora a que se realizará o funeral da menina.
DATAS-CHAVE
13/01/08
Mariluz, de cinco anos, desapareceu no bairro El Torrejón, em Huelva, depois de comprar um pacote de pipocas com um euro, a 100 metros de casa.
14/01/08
Buscas prosseguem em Huelva e na zona do Dique Juan Carlos I, Gibraleón.
18/01/08
Polícia admite que Mariluz foi raptada por alguém conhecido da família.
22/01/08
Organizadas várias manifestações de solidariedade em mais de 20 cidades.
26/01/08
Falso raptor pede resgate à polícia espanhola.
29/02/08
Localizada criança em Nápoles, Itália. Não era Mariluz.
06/03/08
Irene Suarez e Juan Cortez, pais da criança, deslocam-se a Faro.
07/03/08
Mariluz é encontrada morta, às 17h30 locais, no cais do rio Odiel, em Huelva, 54 dias após ter desaparecido.
PORMENORES
PERITAGENS
Pouco depois de o corpo ter sido encontrado, as autoridades espanholas isolaram o local, para proceder a peritagens da zona. Era provável que os trabalhos da polícia científica se prolongassem pela noite.
INVESTIGAÇÃO
Com os resultados das peritagens e das análises que vão ser feitas ao cadáver, as autoridades irão prosseguir a investigação para tentar determinar o autor do crime.
COINCIDÊNCIA
Em 1991, também em Huelva, Ana Maria Cano, de 12 anos, desapareceu sem deixar rasto. Após meses de buscas, o corpo viria a ser encontrado, numa macabra coincidência, próximo do local onde ontem foi encontrada Mariluz.
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