Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
2

Mário Machado abandona julgamento irritado

O julgamento de Mário Machado, dirigente da Frente Nacional, e de outros sete arguidos, acusados de alegada associação criminosa, ficou esta terça-feira marcado por um incidente provocado pelo testemunho de um inspetor-chefe da Polícia Judiciária (PJ).
13 de Abril de 2010 às 14:51
Mário Machado continua detido
Mário Machado continua detido FOTO: Miguel A. Lopes/Lusa

Pedro Pratas, inspector-chefe da Direcção Central de Combate ao Banditismo (DCCB), revelou que os três queixosos no processo em julgamento no Tribunal de Loures tinham determinadas profissões e que desconhecia condenações anteriores por tráfico de estupefacientes, o que levou Mário Machado a insurgir-se  com veemência.         

De acordo com a agência Lusa, o líder do movimento Hammerskins de Portugal, conotado com a extrema direita, afirmou que se tratava "de mentira" que um dos queixosos fosse "designer gráfico", outro "taxista" e o último "vendedor de frutas e legumes", como referiu o agente da PJ, o segundo a ser ouvido no julgamento.         

Visivelmente irritado, Mário Machado pediu à presidente do colectivo de juízes, Susana Fontinha, para se ausentar da sala de audiência para se deslocar à casa de banho, tendo-lhe sido dada autorização.         

O advogado de Mário Machado chegou mesmo a questionar Pedro Pratas sobre uma busca realizada pela PJ à casa de um dos queixosos, no Algarve, com  o inspector-chefe a confirmar o facto e a revelar que, inicialmente, o aludido "figurou como suspeito do tráfico de armas".          

"Não é relevante o tribunal saber se os queixosos têm esta ou aquela profissão, mas definir uma personalidade é importante para o apuramento  da verdade dos factos", disse aos jornalistas o advogado José Manuel de  Castro.         

A segunda sessão do julgamento, que começou com um dos arguidos a queixar-se que "oito detidos foram transportados num veículo celular com capacidade apenas para quatro", prossegue na tarde desta terça-feira, com a audição de mais três  inspectores da PJ envolvidos na investigação.         

Neste processo, Mário Machado e os outros arguidos, quatro dos quais detidos preventivamente, estão ainda indiciados de tentativa de rapto, posse de armas de fogo, ofensas à integridade física e extorsão a três vítimas do sexo masculino.

Os crimes que lhes são imputados reportam-se a finais de 2008 e início de 2009. Com conhecimento privilegiado da situação económica das vítimas, estas eram sequestradas para locais pré-estabelecidos, para lhes serem subtraídas importâncias em dinheiro e automóveis, posteriormente vendidos a um stand em Lourel, Sintra, para serem desmontados e vendidos à peça.

Mário Machado, dirigente da Frente Nacional, foi condenado a oito meses de prisão efetiva em finais de Fevereiro, por difamação, coação e ameaça  a uma procuradora.         

Em Outubro de 2008, foi condenado a quase cinco anos de prisão por envolvimento no homicídio de Alcino Monteiro, cidadão português de origem cabo-verdiana, espancado até à morte, em 1995, em Lisboa. Mário Machado já cumpriu a pena. 

Ver comentários