Liberdade condicional do líder do movimento Nova Ordem Social em risco devido a apelos de "caça" ao homem.
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A liberdade condicional do líder do movimento de extrema-direita Nova Ordem Social, Mário Machado, pode estar em risco devido a apelos de "caça" ao suspeito de matar a tiro um jovem funcionário da discoteca Lick, no Algarve. Após o homicídio, Mário Machado publicou no Twitter um apelo para que os militantes da NOS capturassem o jovem negro de cerca de 20 anos e não o entregassem à polícia. "Procura-se assassino! Não o entreguem às autoridades se souberem do seu paradeiro enviem-nos mensagem privada", lê-se na publicação.
Citado por um jornal de extrema-direita espanhol, o La Tribuna de España, Mário Machado disse ter "850 miliantes e apoiantes em todo o território português na caça a captura do assassino". "Queremos capturá-lo antes que a polícia o faça", disse ainda, mantendo a posição que tem sido partilhada nas redes sociais. Nos últimos dias, o homícidio da discoteca Lick é um tema constante do Twitter da Nova Ordem Social. Numa das imagens partilhadas, recorda-se que o homicida continua em fuga, ficando por esclarecer se a recompensa financeira que aparece referida é mesmo verdadeira.
Esta semana, o Ministério Público abriu um processo-crime para investigar um eventual crime de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, punível com um máximo de cinco anos de prisão, devido ao tweet de "caça ao homem". Na mesma rede social, o líder do movimento de extrema-direita deixou um curto comunicado de reação: "Não cometi à luz do nosso Código Penal e ordenamento jurídico qualquer crime. Não conseguem silenciar-me ou condicionar-me. Continuarei a dizer alto o que muitos pensam em silêncio."É que, caso venha a ser condenado a uma pena efetiva em tribunal por este caso, a liberdade condicional, que dura até 21 de novembro de 2020, é revogada de forma quase automática. Machado foi condenado, em 2012, a uma pena de dez anos de prisão, por cúmulo jurídico de vários processos e por crimes como roubo, extorsão, posse de arma proibida e discriminação social, entre outros. Em 2016, foi condenado a dois anos e nove meses de prisão por um crime de extorsão. Em 2017, saiu em liberdade condicional e, em caso de nova prisão, terá de cumprir cerca de dois anos referentes a estes dois processos. O caso do homicida da discoteca Lick é um dos muitos que têm o líder da NOS como protagonista. Machado já foi preso na Suécia, esteve envolvido no conflito com o grupo rival Hells Angels e organizou uma conferência de nacionalistas de toda a Europa em Lisboa. Porém, explica o Expresso, quando saiu em liberdade condicional teve de comprometer-se com um programa de reinserção social, onde uma das obrigações era "afastar-se da prática de atividades delituosas". De seis em seis meses, a situação de Machado é avaliada pelos técnicos da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, cujo relatório é entregue ao Tribunal de Execução de Penas - que tem o poder de revogar ou não a liberdade condicional. "Só se a avaliação dos serviços de reinserção social for muito negativa é que o juiz de execução de penas terá argumentos para revogar a liberdade condicional", explicou uma fonte judicial ao semanário. E essa avaliação muito negativa acontece quando o ex-recluso falha compromissos marcados pelos serviços de reinserção social ou se recusar a cumprir o referido programa.Guerra ao FacebookEste sábado, o Diário de Notícias revela que uma consultora da rede social Facebook em Portugal pediu proteção policial devido a ameaças de Mário Machado, tendo a NOS sido denunciada por suspeita de "crimes contra a liberdade pessoal". No dia 10 de Agosto, o mesmo em que se realizou a conferência neonazi em Lisboa, um funcionário da empresa, cujo nome não foi divulgado pelo jornal diário, denunciou à PSP a colocação de duas faixas com inscrições interpretadas como ameaçadoras, que tinham o símbolo da Nova Ordem Social. A empresa é responsável pela eliminação de conteúdos considerados extremistas ou que propaguem discursos de ódio na referida rede social e já terá, no âmbito das suas funções, eliminado cerca de 200 páginas alegadamente ligadas a Machado e à NOS. A empresa tem sido pressionada pelo antigo líder dos skinheads e seus apoiantes e por isso, explica o DN, a questão das faixas foi lida como podendo ser um "crime contra a liberdade pessoal". O processo já foi entregue pela PSP ao Ministério Público. O advogado de Mário Machado, José Manuel Castro, garantiu desconhecer as "alegadas ameaças" à consultora e disse a acreditar que as mesmas não colocam em causa as condições da liberdade condicional.
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