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Correio da Manhã

Portugal
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Marisqueio em risco de perder zonas

Viveiristas e mariscadores da Ria Formosa estão preocupados com a possível anulação de várias zonas de marisqueio prevista na proposta de Regulamento do Plano de Ordenamento do Parque Natural, actualmente em fase de discussão pública.
23 de Maio de 2007 às 00:00
Vivmar teme que zonas de marisqueio da Barrinha, Vaza Barris, Cações e Armona sejam anuladas
Vivmar teme que zonas de marisqueio da Barrinha, Vaza Barris, Cações e Armona sejam anuladas FOTO: Carlos Almeida
“Em causa estão a Barrinha de Faro, Vaza Barris, Cações e Armona”, disse ao CM o presidente da Associação dos Viveiristas e Mariscadores da Ria Formosa – Vivmar, para quem a proposta “ameaça o ganha-pão” daqueles profissionais.
Segundo António Labóia, há mais de uma década que se fala em restringir as áreas de marisqueio na ria, mas isso nunca foi avante. “De repente, somos confrontados com esta situação, que não podemos aceitar”, adianta o responsável da Vivmar, para quem “não tem havido divulgação suficiente “da proposta. “Só a última reunião, realizada na passada segunda-feira, em Faro, é que encheu depois de eu ter avisado toda a gente”, assegura.
António Labóia acha o documento “inaceitável”, uma vez que “só na Barrinha de Faro o Parque quer anular uma área de cerca de cinco quilómetros – e as outras têm entre dois e três km cada. Só em Faro há mais de 200 mariscadores a trabalhar. Cada maré chega a ter uns 60 a apanhar amêijoa semente para os viveiros”.
Labóia sustenta que o Parque “devia era preocupar-se em acabar com a poluição na ria e não em tirar--nos os bancos naturais”. Se tal acontecer, “mais vale acabar com a actividade”, refere, revelando ter já contactado os partidos políticos com assento na Assembleia da República a fim de os alertar para o problema.
A Ria Formosa é responsável pela produção nacional de cerca de 90% de bivalves. Tem mais de mil hectares de viveiros.
DISCUSSÃO PÚBLICA ATÉ DIA 6
A proposta de Regulamento do Plano de Ordenamento do Parque Natural da Ria Formosa está em discussão pública até 6 de Junho, podendo ser consultada em 28 locais. O Parque já efectuou “cinco sessões públicas de esclarecimento”, disse ao CM a sua directora, Isabel Pires. Confrontada com as preocupações de mariscadores e viveiristas, frisou que “o documento não é ainda definitivo”: “Solicitámos que fosse especificada a zona para apanha de amêijoa semente para os viveiros da Ria Formosa. No levantamento feito para a elaboração da proposta, não havia incompatibilidades entre esta e os usos legais. Identificámos áreas sem utilização, mas viveiristas e mariscadores disseram-nos já que isso ‘não era bem assim’. Então, ajudem-nos a identificar as zonas em causa”, adiantou Isabel Pires, que frisou ser “agora” a altura certa para alterar a proposta. “Até 6 de Junho estamos abertos à recepção de contributos, por escrito. Depois de publicado o documento, as autoridades só terão de aplicar a lei”, alertou.
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