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Correio da Manhã

Portugal
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Mata a mulher a tiro

Um homem de 64 anos perseguiu e matou ontem a tiro de caçadeira a ex-mulher e feriu uma vizinha, em Ferro, no concelho da Covilhã. Na origem do crime estarão desentendimentos entre a vítima mortal e o atirador, que estavam divorciados há um mês.
2 de Abril de 2008 às 00:30
Maria José (ao centro) quis ajudar a vizinha e acabou por ser alvejada por António Churro
Maria José (ao centro) quis ajudar a vizinha e acabou por ser alvejada por António Churro FOTO: Edgar Martins

Atragédiaaconteceupelas 07h00,quandoAntónioChurro atingiu com vários tiros Floriana Churro, de 60 anos, e uma vizinha, de 62, que tentou responder aos gritos de socorro da ex-mulher do assassino."Foi Deus que me guardou!", diz a mulher ferida, Maria JoséFazenda,tratadanoCentro Hospitalar a Cova da Beira a ferimentos causados por chumbos e estilhaços de vidro num ombro, braços e mãos. "Nunca vi nada assim: um mar de sangue no meu balcão!", adianta.

Maria José foi acordada – depois de "uma noite mal dormida" – com o som de um tiro, seguido dos gritos de Floriana Churro a pedir ajuda. "Comecei a ouvir: ‘Ai Jesus, acudam-me!’, abri a janela e vi a minha vizinha a correr e a pedir-me que lhe abrisse a porta. Fui-lhe abrir a porta, mas quando estava meter a chave ouvi outro tiro e os vidros saltaram. Só tive tempo de me chegar para trás, para dentro do corredor e mesmo assim ele ainda me acertou", contou a mulher.

Maria José está convencida que António Churro não hesitaria, naquele momento, em disparar contra quem fosse que tentasse ajudar a vítima. "Ele não teve dó nem piedade ao disparar. Se eu tenho fugido para o lado da cozinha em vez do corredor, ele tinha-me matado a mim também".

As marcas dos disparos efectuados por António Churro ficaram bem visíveis na porta da cozinha de Maria José quer no friso de alumínio quer no centro do vidro. Floriana Churro ainda tentou subir as escadas da casa da vizinha, mas o ex-marido atingiu-a pelas costas, com vários tiros, provocando-lhe a morte quase imediata.

Quando o marido de Maria José chegou à porta já só viu a mulher ferida e a vizinha caída ao fundo das escadas, no seu balcão, "num mar de sangue". De seguida, alertou as autoridades policiais, que chegaram acompanhadas de uma viatura do INEM, cujos médicos se limitaram a confirmar o óbito.

O atirador foi detido pela GNR da Covilhã e presente a tribunal. A investigação está agora a cargo da PJ da Guarda.

PORMENORES

AGRICULTOR

António Churro era agricultor e a ex-mulher, Floriana de Jesus Joaquim, era empregada doméstica, trabalhando ambos na vila de Ferro, no concelho da Covilhã. Era para o trabalho que ela se dirigia quando foi abatida a tiro pelo ex-marido.

DESAVENÇAS

Segundo alguns populares de Ferro, as desavenças no seio do casal já há muito tempo que eram conhecidas, tendo culminado há cerca de um mês na formalização do divórcio. Contudo, nunca imaginaram que o caso tomasse estas proporções trágicas.

AVISADA

Um dos populares lembrou ontem que já muita gente tinha avisado a vítima para não passar tantas vezes naquela rua, apesar de ser esse o seu trajecto para o trabalho. Ela confiou sempre que o ex-marido não lhe faria mal, mas enganou-se e nem a fuga para casa da vizinha lhe valeu.

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